por Silvio Meira

a guerra virtual… pra valer

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a imagem abaixo era a capa do huff post ontem no fim da tarde…

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…no estilo tablóide inglês. a notícia era o anúncio quase conjunto, pelos sistemas de defesa dos EUA e do reino unido, de que ataques virtuais [ou cyber attacks] a territórios, infraestruturas, negócios e interesses dos dois países passariam a ser considerados “atos de guerra” e que a retaliação poderia vir em termos de ações militares tradicionais. o que inclui mísseis, ataques aéreos, bombas e tudo o mais que caracterizava o que a gente costumava conhecer como guerra até pouco tempo.

daí a manchete do huff post: sabote e “derrube” minha rede elétrica e eu mando um míssil numa de suas chaminés. parece que o bicho pegou de vez. e isso tem a ver com um ataque muito competente [e insistente] que alguma galera [a quem se imagina que seja endereçado o aviso acima] fez à lockheed martin, um dos maiores fornecedores de material bélico do planeta. e também está relacionado com ataques, pelo que se sabe mal-sucedidos, a partes da infraestrutura de alguns países.

curioso é que o incidente de segurança mais radical já registrado [por trás dos panos, é verdade] é o ataque do worm STUXNET aos sistemas de controle das centrífugas da usina de combustível nuclear de natanz, no… irã. a avaliação de especialistas é que o dano causado foi suficiente para atrasar o programa iraniano de armas nucleares em alguns anos”. se você quiser entender os detalhes desta história, de resto obscura e confusa, leia este link, onde se levanta a tese de que STUXNET foi uma combinação dos sistemas de espionagem dos EUA e israel.

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STUXNET é um marco entre os malware, pois não tem como alvo principal PCs e laptops, mas faz uso dos mesmos para invadir sistemas de controle industriais [como mostrado na figura acima, clique] como os usados pelos iranianos. pois bem. pela reação do reino unido e dos EUA, parece que há mais gente –além da galera por trás de STUXNET- brincando com fogo virtual… em cima de sistemas reais, preciosos e perigosos. e apontando seus teclados para o lado OTAN da disputa pelo poder global.

os ingleses vão radicalizar suas políticas, estratégias e operações de segurança virtual. os americanos também. e muita gente está seguindo a mesma linha, inclusive o brasil. isso inclui a incorporação do virtual e sua segurança nos conceitos e doutrina de defesa nacional. o que vai ter amplas implicações para muita gente, instituições e sistemas.

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é interessante notar que esta história de e-war não começou ano passado, ou mesmo com a internet. a CIA, ao descobrir uma lista de compras para sistemas para um gasoduto na sibéria [o farewell dossier], “ajudou” os soviéticos a comprar hardware e software que, sabotados, causaram o que se considera até hoje a maior explosão não nuclear do planeta. além de detonar fábricas de produtos químicos e ter passado aos russos um projeto espacial rejeitado pela nasa… que eles acabaram construindo. guerra, virtual, total, em… 1982.

a coisa começou faz tempo. e não há sinais de que vá terminar tão cedo. principalmente agora, quando parece ter se tornado, simplesmente, guerra.

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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