A provocação de Sílvio Meira sobre a finitude do livro e da leitura não basta em si mesma. Se é o fim, pode ser o início; se não terminar, pode ser o meio e, se acabar, vai se transformar. Como todos os hábitos e vícios estão em transição, as perguntas são pertinentes, mas algumas já vem com tarja preta de remédio controlado: quem tem paciência para leitura longa? Antes, o que é uma leitura longa? Como isso se desdobra no meio líquido e elétrico do cérebro? E o caldeirão das distrações digitais? Existirá concentração em tantos planos e dimensões do tempo? E o próprio tempo? O que será que será?

Postado originalmente no Canal Sempre Um Papo, em 28/09/2021.