por Silvio Meira

computação e conexão para as massas

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uma das notícias mais quentes no mercado de netbooks é o anúncio do skytone alpha 680, um netbook baseado no chip ARM 11 e no sistema operacional “de google”, android. em seis de abril, este blog dizia que

android, o “sistema operacional” de google, é na verdade uma plataforma para desenvolvimento e uso de aplicações móveis baseada no kernel [a parte essencial] do sistema operacional aberto linux. para saber mais sobre a coisa, clique aqui. durante algum tempo, se pensou que o alvo de android eram os smartphones, os telefones da classe do motorola motoQ, nokia e71 e apple iPhone; google, aliás, a open handset alliance [OHA], não falava em outra coisa.

isso mudou radicalmente na semana passada. segundo o wall street journal, a HP está testando android em netbooks, mas ainda não decidiu se nem quando lançaria android num deles.

a hp, como toda grande companhia, demorou demais. o primeiro netbook rodando android vem de uma firma… chinesa, a guangzhou skytone transmission technologies, cuja especialidade, até agora, era a produção de netbooks pra crianças. pelas imagens alpha 680 no site da companhia, o netbook tem jeitão de tablet, e uma tela sensível ao toque deve estar em suas próximas versões.image

o alpha 680 deve custar US$250 no lançamento, preço que pode cair muito se o volume de vendas for suficientemente alto. segundo nixon wu, ceo da skytone, numa entrevista à computerworld the goal is to bring low-cost computing to the "80% of the world" that can’t afford it today. That means villagers in Africa or farmers in China, need access to information on the Web as much as anyone else… o objetivo do 680 é trazer computação de baixo custo aos 80% das pessoas que não têm como pagar por ela hoje, na periferia da áfrica e china. bem que ele poderia ter acrescentado brasil e o resto da américa latina, onde a necessidade é tão grande quanto.

quem tiver um alpha 680 no começo do segundo semestre vai trazer suas aplicações direto do android market [na partida, 20% não devem rodar no alpha, por questões de portabilidade, segundo wu] e talvez [não há nada sobre isso na especificação ou entrevista] haja conexões diretas [e privilegiadas?] aos apps de google na web.

uma coisa: este mercado vai pegar fogo. o alpha 680 vai pesar 700 gramas e tem, como opcional [além de wi-fi e ethernet] conexão GPRS, CDMA, EDGE,WCDMA. ou seja, um plug-in básico transforma a coisa num telefone.

agora pense: mais mil dias de desenvolvimento, teste e uso, no mercado, por dezenas de fabricantes –incluindo os gigantes mundiais e alguns brasileiros- que vão entrar nesta corrida; cpus, memórias e conexões mais rápidas, eficientes, menores e mais baratas; telas maiores, de resolução mais alta e consumindo menos energia; baterias menores e de maior duração; interfaces mais agradáveis e de melhor usabilidade em espaço muito restrito; preços caindo com o tempo, por causa de melhoria na tecnologia e aumento do mercado… e teremos uma convergência celular-PC de fato: cada telefone, na sua e na minha mão, será um smartphone e este smartphone, por sua vez, será um computador muito mais interessante do que os laptops de hoje. muitas vezes menor, mais rápido, mais sofisticado, melhor conectado, mais barato e consumindo muito menos energia. adeus telefone, alô computação e controle, conectados em rede

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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