por Silvio Meira

inovação [pela hora da morte?…]

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inovação, nos ensina peter drucker, é a única fonte de aumento [sustentado] de produtividade e esta, por sua vez, é a única maneira de sobreviver numa economia competitiva. muitos milhares de páginas têm sido escritos sobre o assunto nas últimas décadas e milhões de horas são gastos nas empresas, no mundo inteiro, na busca das melhores práticas pra garantir que a empresa saia de onde está para um lugar mais competitivo em sua cadeia de valor. e inovar, quase a qualquer custo, se transformou num mantra corporativo no mundo inteiro.

nakamats_water-inventor.jpgse você pensa que não há um método garantido para "inovar", esqueça suas crenças pregressas e vá ao encontro do dr. yoshiro nakamatsu, [ou "dr. nakamats"] de quem o guinness book of records diz que é o recorde mundial de patentes, cerca de 3.200. nakamatsu san ganhou o igNobel de 2005, tem uma análise de todas as suas refeições dos últimos 34 anos e pretende viver pelos próximos 64, pelo menos, o que significa não morrer antes dos 144.

método do "dr.", para garantir idéias, patentes e inovação permanente: mergulhar sem nenhum auxílio até que a morte chegue bem perto, munido de um sistema, que ele mesmo inventou, pra tomar notas debaixo d’água [veja foto deste texto]. segundo o japonês com quem a ibm tem uma relação continuada, as melhores idéias rolam meio segundo antes da morte certa. aí ele tem um surto de imaginação e "cria" alguma coisa, logo antes de morrer afogado… e a satisfação de fazê-lo o traz de volta à superfície. usando tal processo, muito pouco usual e provavelmente suicida [para qualquer mortal comum. inclusive ele], o doutor pretende chegar às 6.000 patentes em seu [longo, se tudo der certo] tempo de vida. mas não tente imitá-lo, em casa ou no trabalho, sem supervisão de adultos sãos. até porque o "método" nada tem a ver com inovação.

por que? porque inovação tem muito pouco a ver com patentes ou mergulhos suicidas [de qualquer tipo…] para ter "idéias": inovação é a mudança de comportamento de agentes, no mercado, como consumidores e/ou fornecedores de qualquer coisa. e mudar o modo de ver, sentir e estar tem pouco a ver com idéias e sim com a execução, premeditada e ao mesmo tempo imperfeita, porque sempre aprendendo, de estratégias que consideram as necessidades dos consumidores, a [nova] forma de atendê-las, os benefícios e custos envolvidos e a atitude da competição em relação ao que você está tentando fazer.

você pode até ter uma "idéia" genial usando um método como o do dr. nakamats ou qualquer outro tão idiota quanto. mas inovação não tem nada a ver com este tipo de pirotecnia. e pode, muito bem, ser transformada em processo e realizada por mortais comuns, dentro dos ambientes mais insuspeitos. é só ter objetivos, metas e métricas, criar [no seu negócio] a energia para mudar e mantê-la no ar, com processos e incentivos apropriados, que os resultados não demoram a aparecer. e estão aparecendo em todos os lugares que estão fazendo justamente isso.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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