a suécia botou em prática uma lei draconiana contra cópia de material protegido por copyright. no dia seguinte, o tráfego internet entre a suécia e o resto do mundo caiu de cerca de 160Gbps para ao redor de 90Gbps e continua nesta média até agora. cerca de metade da internet sueca, como vista pelo resto do mundo, "desapareceu". é isso que o gráfico abaixo, cortesia da netnod, mostra.

 

pra apertar ainda mais a grade onde o país quer prender sua rede, a suécia condenou a galera or trás do pirate bay, um dos principais sites de compartilhamento de conteúdo do planeta [mais de 4M de torrents por dia] a um ano de cadeia mais o pagamento de US$3.6M para compensar royalties supostamente "perdidos" por seus donos.

para a suécia, por enquanto, pirataria não é apenas mais um modelo de negócios. prá uns, é assim mesmo que tem que ser. pra outros, entre os quais um número de provedores de acesso na suécia, é o ponto de partida de um controle orwelliano sobre a internet do país.

eu acho que esta história de copiar arquivos tá com os dias contados; e isso nada tem a ver com leis e controles de estados como a suécia, ou com o que vai acabar sendo a "lei da internet" no brasil. mas porque "ter" um arquivo com você, seja lá em que dispositivo for, ainda é uma forma de manter o concreto dentro do abstrato, como se a rede fosse desaparecer a qualquer momento. com cada vez mais rede, cada vez mais presente e de cada vez mais qualidade, nós vamos ver, ouvir e participar de fluxos… e a localidade, armazenamento e propriedade de arquivos vai se tornar cada vez menos importante.

pense: numa rede onde todo mundo tenha 100Mpbs, o tempo todo, a custo fixo [vamos chegar lá, vai levar tempo, mas vamos chegar…] prá que mesmo é preciso ter alguma coisa, arquivo que seja, "local"?… prá que copiar música pro seu HD se você vai poder ouvir [entre tantas muitas outras…] grooveshark?… ainda mais, se ainda restar alguma inteligência na velha indústria de conteúdo, ao invés de brigar por leis pra manter o passado no futuro, é capaz de -olhando construtivamente para coisas como grooveshark- conseguirem, ao invés, trazer uma boa parte do futuro para o presente… enquanto isso, os suecos, sempre eficazes e eficientes, nada mais fazem, desta vez, do que perder tempo.