por Silvio Meira

nelson motta: estrelinhas, constelações e galáxias

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nelson motta não nasceu ontem, nem viveu pouco. uma parte muito significativa da música brasileira contemporânea [e de sua história] passa por nelsinho, seus companheiros, colegas, parceiros, intérpretes e amigos. não é nem preciso a gente tentar uma biografia aqui, pois a vida de nelsinho está online aqui. de resto, se você não sabia dele, provavelmente ainda não nasceu e não sabe. pois vá saber.

nelsinho escreveu um texto primoroso sobre o fim da era dos popstars planetários, ao tempo do desaparecimento de michael jackson; com sua licença, taí, abaixo, a crônica, na íntegra. leia. e imagine o que ainda está por vir. os grifos são nossos.

A morte de Michael Jackson é um dos signos mais evidentes e dolorosos do fim da era dos popstars planetários. Até os anos 90, o poder de comunicação e difusão estava nas mãos das grandes gravadoras multinacionais. Só elas tinham o dinheiro, a tecnologia e a organização para divulgar, promover e vender seus artistas no mundo inteiro. Estratégia vitoriosa: as filiais internacionais dividiam os custos, e multiplicavam os lucros. Tão vitoriosa que logo os orçamentos de promoção e marketing superavam de longe os de produção e desenvolvimento.

Na era da internet, da tecnologia da informação, da democratização dos meios de comunicação, o efeito é a multiplicação de estrelas locais, regionais, nacionais, e cada vez menos popstars globais como Michael Jackson, Madonna ou os Rolling Stones. Esses, são história viva.

Hoje, os pretendentes ao estrelato mundial competem com todos os anônimos, ou quase, com todas as pequenas e médias estrelas em ascensão em todos os cantos do mundo, que cantam na língua que as pessoas entendem, que falam de coisas que eles sentem, que têm redes de fãs na internet. Produzir é fácil, difícil é chamar a atenção do público. Está dura a vida de popstar hoje em dia.

Nos anos 70 e 80, não só da ditadura, mas do nacionalismo e do protecionismo, a música angloamericana dominava os grandes mercados e os periféricos, inclusive o Brasil, apesar de nossa fabulosa produção musical da época. Com a globalização e a internet, as previsões nacionalistas e antiimperialistas eram de que a música angloamericana, o som do Império, tomaria conta do mundo de vez, era tudo uma conspiração tecnológica para dominar o planeta. 

Pura paranóia do perfeito idiota latinoamericano. Na era da informação globalizada, o jogo virou: as músicas nacionais passaram a dominar as vendas de discos. No Brasil, mais de 75% do mercado são de produto nacional, bruto ou fino. E também na China, na Índia, na Espanha, no Japão, os artistas nacionais dominam o mercado. A internet pulverizou a informação e transformou um céu de poucas estrelas muito brilhantes em novas constelações e galáxias.

falou e disse. grande nelsinho.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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