por Silvio Meira

nunca se escreveu tanto [e tão mal?]

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Pesquisa feita na inglaterra mostra que o inglês “médio” terá escrito e enviado, para deus e todo mundo, 7.3 milhões de palavras entre 14 e 55 anos de idade. todos os escritos de charles dickens, ícone da literatura da ilha, somam menos de 4 milhões de palavras. não se pode comparar alhos com bugalhos, diria você. claro, concordo. mas é melhor ter todo mundo escrevendo em alguma “língua” e estilo do que não.

mesmo que a prática não leve à perfeição, neste caso, vamos esperar que melhore muita coisa. a vasta maioria dos jovens troca mais mensagens de texto [por SMS, faceBook, twitter… whatsApp] do que usa voz pra conversar… como mostra este infográfico. alguma hora, num futuro próximo, a tecnologia que começou tudo isso –SMS– será apenas lembrança. mas os textos curtos, pra comunicar algo, sem um prezado senhor e longas introduções, vieram para ficar.

ou para sair: pesquisa feita pela interflora inglesa no último dia dos namorados diz que a forma mais comum de dizer “não te quero mais… ”, por lá, é por SMS, tanto entre homens quanto mulheres… e pelo menos 36% já recebeu um SMS do tipo “fui! {e passe bem}”.

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e pensar que livros inteiros já foram, e ainda são, escritos para dizer a mesma coisa que meros 140 caracteres [ou menos…] podem comunicar. pra quem pensa que novas formas de escrever, como os estilos dos chats e SMS, poderiam afetar língua e literatura, uma boa notícia: estudos mostram que escrever mais, e como se quer, ajuda a construir [alg]uma capacidade de comunicação escrita [veja esta tese].

não que cada adolescente num chat ou SMS, agora, esteja a caminho de se tornar um dickens ou rosa [que tinha lá seu português]. mas não é por saber e usar abreviaturas, caminhos e códigos das mensagens curtas, contemporâneas, que nosso leitor ou –quem sabe- escritor está perdido para sempre.

dito isto… sabe o que susan crimp fez? reescreveu “alice” em NYC, e em TXT. o livro está na amazon e a abertura na imagem a seguir. e o que diria rosa, logo ele?…

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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