por Silvio Meira

terça é dia de alpha

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stephen wolfram, o gênio milionário por trás da wolfram research e do software mathematica, vai apresentar sua máquina de respostas [em oposição a buscas] na web, o wolfram alpha [ainda em beta fechado], no berkman center de harvard, às cinco da tarde desta terça, hora de brasília. o evento será webcasted neste link.

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wolfram descarta a competição entre máquinas de busca, como google e live search, e alpha, sua máquina de respostas. as primeiras varrem a web e compilam o melhor conjunto de páginas que atende a algum requisito, como search engines, por exemplo. alpha, por outro lado, responde a perguntas diretas e objetivas usando um engenho computacional que entrega respostas [supostamente] ótimas dentro de certas condições. ao invés de busca, a máquina de wolfram é um computational knowledge engine, ou uma máquina de conhecimento computacional.

vale a pena ver? para ajudar você a decidir, um pouco de história e contexto. em 1988, wolfram publicou um software que viria a revolucionar o estudo, ensino e uso de matemática, que vem a ser o tal mathematica, base de sua fortuna atual. o programa, inicialmente um engenho limitado de cálculo integral e diferencial contínuo, está na versão sete e faz, automaticamente, o que muita gente pensou que seria impossível realizar sem um cérebro humano por trás. além de cálculo contínuo e discreto, mathematica pode ser usado para modelagem, simulação, processamento e visualização de imagens e mais um monte de coisas que deixaram newton e leibniz, inventores do cálculo, verdadeiramente impressionados. dê uma olhada neste cálculo integral online e nestas demonstrações, pra ter uma idéia da sofisticação da coisa… abaixo, um exemplo de integral e seu gráfico, computado e visualizado por mathematica.

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em 2002, wolfram lançou um livro que deveria mudar a história da computação, chamado a new kind of science, ou simplesmente NKS, cujas quase mil páginas estão online, na íntegra, neste link. NKS não é para os fracos de coração e gerou muita controvérsia por insistir na idéia de que toda a computação –e, em última análise, toda a ciência e natureza ao nosso redor- está fundamentada em máquinas [abstratas] muito simples chamadas autômatos celulares, dos quais o jogo da vida é um exemplo muito simples.

por baixo de alpha está a base de mathematica e uma infraestrutura de autômatos celulares como a descrita em NKS. alpha contém modelos formais de quase tudo que a gente sabe, para tentar construir uma representação –tão fiel quanto possível- de nosso conhecimento sobre o mundo. e isso inclui matemática, computação, física, química, biologia, previsão de tempo, culinária, negócios, viagens, pessoas, música…

a interação com alpha é baseada em linguagem natural [só inglês no lançamento, em maio] e você pode fazer perguntas diretamente, como "integrate x^3 sin^2 x dx" ou "uncle’s uncle’s brother’s son". a primeira tem como resposta algo que parece muito com a saída de mathematica para a mesma questão e a segunda vem com uma árvore genealógica completa descrevendo os laços de sangue que levam ao parentesco.

aí tem coisa: alpha pode ser, para conhecimento formal, o que google é para conhecimento informal. no último, a relevância da resposta é decidida por um conjunto de heurísticas que inclui descobrir o quanto outras páginas, na web, acham que uma certa página é relevante para um conjunto de palavras chave. no primeiro, uma pergunta é respondida por um sistema formal que parte de uma ampla gama de respostas pré-computadas, uma quantidade muito grande de dados e fatos e um conjunto integrado de sistemas formais de computação, dedução e inferência. google encontra páginas; alpha [quer] computar respostas. duas classes de sistemas, para dois [ou mais] usos distintos. a prática, é claro, decidirá quem vai usar qual deles para quais fins…

alpha, no momento, é um sistema de informação baseado em cinco milhões de linhas de código escrito em mathematica e roda sobre algumas [poucas, pelo que se sabe] dezenas de milhares de cpus [contra muitas centenas de milhares, indo para milhões] de google. vamos ver no que vai dar. eu vou ver a demo. encontro vocês lá.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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