SILVIO MEIRA

23 anotações sobre 2023 [xx]

Este é o 20° de uma série de textos curtos, de uns poucos parágrafos e alguns links, sobre o que pode acontecer, ou se tornar digno de nota, nos próximos meses e poucos anos. Como há uma tradição de, no fim do ano, pensar sobre as possibilidades do ano que vem, o título fala de… 23 anotações sobre 2023. O texto [Guerra. Eterna?] está no link bit.ly/3B0mysO, o [Inflação. Recessão? E Investimento?] em… bit.ly/3ir4PUR, o [Energia e Descarbonização] em… bit.ly/3gUdD5w, o [Sociedade & Política] em bit.ly/3FrM50P, o [Pessoas & Costumes] em… bit.ly/3H7CAFb, o [Plataformas & Ecossistemas] em bit.ly/3VEcxK3, o [Efeitos de Rede, Escala e Sustentabilidade] em bit.ly/3BjJUK1, o [O Mundo é Figital] em bit.ly/3FEmMJ2, o [Marketing é Estratégia, Figital] em bit.ly/3FfDJrI, o 10° [5G & Internet das Coisas] em bit.ly/3W8yVLC, o 11° [Indústria… 4.0?] em bit.ly/3BpZuUK, o 12° [Inteligência Artificial e Grandes Algoritmos] no link bit.ly/3FJMKdS, o 13° [DADOS, Análises e DECISÕES] em bit.ly/3VXR678, o 14° [BLOCKCHAIN e aplicações] no link… bit.ly/3BAEMBy, o 15° [SEGURANÇA de Informação] em bit.ly/3j0yjct, o 16° [Destruição Criativa, xTech… & Mídia] em bit.ly/3Ysy3Dq, o 17°, [VAREJO, FIGITAL], no link… bit.ly/3Yu0LE3, o 18°, [METAVERSO, pra quê?], em bit.ly/3j7Zr9z e o 19° [Educação & Aprendizado: em Transformação], em bit.ly/3jfMmv3.

Trabalho, Emprego & Escritório

Depois de um texto sobre Educação & Aprendizado: em Transformação [bit.ly/3jfMmv3], onde se disse com todas as letras que a universidade não prepara para uma carreira, este tinha que ser um sobre trabalho, emprego e, em função das mudanças na pandemia, o escritório -o local das performances e encontros dos negócios antes de Covid19 e… do que, agora? Porque o “office”, abandonado na pandemia, passou a ser, depois, questionado todo dia.

Bora começar por aí, porque esse problema vai perdurar em 2023 e depois. Nos EUA, segundo dados do fim de novembro de 2022, 76% de quem pode trabalhar remoto está no modo híbrido [53%] ou remoto [23%]. Uma das consequências? Hotéis e esportes estão a mais de 99% da lotação de 2019, antes da pandemia, e escritórios, em 49% [bit.ly/3BraRM6]. O trabalho simbólico -de processamento de informação, do escritório- pode ser feito em qualquer lugar. A criação e evolução de conexões e relacionamentos associados ao trabalho, aparentemente ainda não, pelo menos na mesma intensidade de quem está no mesmo local físico. Vamos falar disso já já.

O escritório que conhecemos tem cerca de 200 anos [é uma necessidade e invenção da revolução industrial] e já dava sinais de exaustão antes de Covid19. Ter um “office” ajuda [muito] a dividir o tempo entre o ócio [latim: otium] e o negócio [negotium] mas… levante a mão, quem nunca levou trabalho pra casa? Durante a pandemia, o trabalho foi todo pra lá [bit.ly/35rz9UX]. Mas quem aprendeu a trabalhar remoto foram as empresas, e não os trabalhadores, porque estes tinham aprendido há tempos. Aliás, conectando de volta com a escola e a universidade, parte significativa do trabalho de aprendizado é, por definição “dever de casa”.

Como no caso da escola, as atividades da economia do conhecimento no trabalho não demandam estada no escritório ou local de trabalho clássico para sua execução. O trabalho -pra muitos- deixou de ser um lugar para onde se vai -pra trabalhar. Pra muitos, a presença física será reservada para atividades preciosas: a ir para o local de trabalho e ficar sentado num plano aberto e tendo que usar fones anti-ruído pra poder se concentrar e resolver os problemas do dia-a-dia, muitos preferem ficar em casa e se fechar no quarto-transformado-em-escritório. A arquitetura das residências já mudou, para representar este “novo” cenário, mas o problema e muito maior do que este: muitos, e muitos mais do que os que têm, não têm um quarto para chamar de escritório, na maior parte das vezes nem pra chamar de seu, especialmente em países como o Brasil.

Onde os quartos -e até escritórios, em casa- existem, pesquisa de 2021 [bit.ly/3WaJ6Qg] mostra que 68% dos americanos escolheria trabalhar remoto, se seu emprego assim permitisse. Ainda mais, nada menos que 85% acredita que seus colegas e outros funcionários em todo o país preferem trabalhar remotamente e não no escritório. Parece ótimo. Mas há um problema não trivial [bit.ly/3TrcfEM]: quem trabalha remoto não tem o mesmo reconhecimento de quem está “presencial”. Olhaí o problema das conexões e relacionamentos. Dados de pesquisas mostram que os “remotos” trabalham mais horas por semana, com melhor desempenho, mas têm 50% menos chances de serem promovidos. Complicado. A diferença? O escritório. Mais precisamente, estar no escritório.

Empresas de todos os tamanhos estão levando as pessoas de volta ao escritório, pelo menos uns dias por semana. Não é pra aumentar a produtividade ou qualquer razão associada ao sucesso ou continuidade do negócio. É porque o escritório é uma ideologia [bit.ly/3IkAvnQ]. No passado [até 2019, pelo menos…] o escritório era onde pessoas que tratam símbolos tinham que ir para realizar seu trabalho, porque os equipamentos para tal eram delicados, grandes ou caros demais para sair de lá e|ou porque tudo era registrado em papel, e também não podia sair de lá. Desde o começo de 2020, o grande experimento global de trabalho descentralizado, distribuído e digital está mostrando que o escritório pode não ser necessário. E se algo não é necessário, um tempo depois não é nem opção [econ.st/3dkIv9K].

Há quem afirme “com toda certeza” que colaboradores remotos são menos engajados do que os do escritório. Mas o que dizem os dados? Eles mostram 60% mais reuniões remotas por pessoa em 2022 vs. 2020, 42% [eram 17% em 2020] de reuniões um-a-um, 66% das quais não agendadas, e isso parece apontar mais engajamento e não o contrário [bit.ly/3W08yaJ].

Outro estudo [bit.ly/3R7k8xU] mostra 87% dos funcionários de escritório relatando mais produtividade no trabalho remoto, e os dados comprovam, com mais horas trabalhadas, mais reuniões realizadas [!…], mais quantidade de trabalho concluído e com mais qualidade. Isso deveria dar o assunto por encerrado. Mas não. Tem a paranoia da produtividade: segundo o mesmo estudo, só 12% dos líderes confia que seus times estão sendo produtivos. Sabe qual é o resultado? O teatro da produtividade: trabalhadores perdendo parte relevante do seu tempo dando demonstrações de que estão trabalhando. Parece piada. mas não é, é um caso de gerentite crônica, a doença endêmica da revolução industrial, em plena era da informação.

A transição da pandemia mostrou vantagens, fraturas e problemas do escritório e possibilidades fora dele; lá -certamente- não é o único local de trabalho. Competências, habilidades e recursos, e não horários e proximidade, determinarão quem trabalha de onde, e quando: [bit.ly/3KUoUfT]. Mas o problema do retorno ao escritório leva jeito da maior oportunidade de negócios para consultorias desde o bug do milênio. Entre os “especialistas” tem desde quem nunca teve escritório até quem não voltou a ele até agora, prontinho pra lhe dizer como você deve voltar ao seu [bloom.bg/3dwMWyj.

Eu diria que, apesar de toda a celeuma sobre o escritório, este não é o maior problema que vai afligir os negócios, todo ponto de vista da resolução de problemas e do trabalho necessário para tal, em 2023 e depois. A divisão e especialização do trabalho, fatores históricos dos mercados e aceleradas pela revolução industrial, deu poder a uns poucos na direção, comando e controle das massas engajadas na produção.  Na era do conhecimento, a divisão do aprendizado, por outro lado, empodera quem tem e entende os dados e dos meios para processá-los, especialmente quem escreve o código para tal; para continuar relevantes, os gerentes têm que mudar seu papel nos negócios, que tendem a se tornar cada vez mais descentralizados, distribuídos e assícronos [bit.ly/3tXGV6H].

Descentralização é a dispersão [habilitada por redes entre pares] das comunicações organizacionais, e distribuição é a dispersão das decisões organizacionais [habilitada por protocolos entendidos e usados por todos]. As duas são chaves das portas da agilidade, a capacidade de estabelecer as conexões e relacionamentos que levam a interação e criação de significados comuns, nas bordas dos negócios, condições sine qua non, para tomada de decisões coerentes e exequíveis, em tempo quase real, por quem tem o problema e precisa resolvê-lo o mais rápido possível. E não é só agilidade -em tese- que muda o contexto e a atratividade do trabalho, para o trabalhador.

Um estudo [com 12.000 pessoas, 1.000 delas no Brasil, bit.ly/2kvyoHp] diz que trabalhadores de organizações tecnologicamente atrasadas têm probabilidade 500% maior de se frustrar e 600% maior de mudar de emprego. E estão absolutamente corretos; ficar lá é destruir seu futuro profissional. Ferramentas, capacitação e serviços necessários para trabalhar em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer dispositivo com uma experiência de usuário que as pessoas estão acostumadas a ter nas plataformas onde elas nem pagam nada pra usar… é fundamental pra a satisfação do trabalho pessoal e coletivo nos negócios. E a sobrevivência destes.

Tecnologia e humanos andam juntos desde sempre. Uma ferramenta separou o Homo Sapiens da competição: o fogo [bit.ly/3D3r0Fd]. Mas… qual seria sua utilidade se ninguém soubesse iniciar e terminar uma fogueira de forma repetível e segura, nem entendesse para que e como usar? Fogo ilumina [e espanta predadores], aquece ambientes [e protege pessoas], cozinha [e facilita digestão de alimentos]… molda ferro, cria aço e espadas… e um sem número de usos. Mas para ser útil em escala, muita gente tem que aprender os quês, porquês e comos do uso. À medida que mais gente entende como usar o fogo, há cada vez mais gente capaz de mostrar, a cada vez mais gente, os quês, porquês e comos de seu uso. Assim caminhou a humanidade, usando um efeito de expertise associado a uma tecnologia –ou ferramenta-, para se desenvolver. O fogo, e sua rede de conhecimento, nos criou. E foi assim como uma miríade de ferramentas. No trabalho, hoje, são as ferramentas em rede, e a rede de conhecimento das pessoas, sobre elas, que faz a diferença.

A novidade dos últimos 70 anos, e radicalmente dos últimos 15, são tecnologias para automação de formas até então impensadas de trabalho, ligadas ao que chamávamos de conhecimento e|ou inteligência, e talvez devêssemos mais apropriadamente associar à capacidade de processamento de informação.

Converse com ChatGPT [que já apareceu aqui na série duas vezes…] pergunte qual é o grande impacto de inteligência artificial no trabalho de escritório e a resposta será…

IA tem o potencial de impactar o trabalho de escritório de várias maneiras e alguns dos impactos potenciais incluem: [1] automatizar tarefas repetitivas ou com uso intensivo de dados, como entrada de dados ou processamento de documentos… isso pode economizar tempo e reduzir a carga dos humanos, permitindo que se concentrem em tarefas mais complexas e criativas; [2] analisar grandes quantidades de dados com rapidez e precisão, permitindo que as empresas tomem decisões mais rápidas e informadas… IA também pode ajudar a otimizar processos, reduzindo tempo e recursos necessários para concluir as tarefas; [3] as ferramentas com IA podem facilitar comunicação e  colaboração entre os membros da equipe, como é o caso de assistentes virtuais e chatbots; [4] ao automatizar tarefas e melhorar a eficiência, IA pode ajudar empresas a aumentar sua produtividade e competitividade e… [5] embora IA tenha o potencial de aprimorar o trabalho de escritório, também tem o potencial de substituir empregos. É importante que as empresas considerem os possíveis impactos em sua força de trabalho e desenvolvam estratégias para lidar com seus efeitos negativos.

Uma coisa já parece certa: o grande impacto de IA no trabalho [e emprego] não será causado por um big bang de IA com “inteligência humana”, mas por sistemas mais ou menos, que cuidam de tarefas repetitivas e podem ser implantados com baixo atrito e custo e não só em grandes negócios. E Covid19 acelerou isso [nyti.ms/38hqR4w]. Essa entrada subreptícia de IA no escritório, na fábrica, sem qualquer política maior, ou grande discussão sobre seus usos, impactos e efeitos terá consequências gigantescas.

Por exemplo, certos governantes estão assumindo mandatos, mundo afora, afirmando que não farão nenhuma privatização ou concessão [para aumento de eficácia e eficiência dos serviços públicos], porque nenhuma perda de emprego será tolerada, mesmo que temporária e mesmo que compensada pela geração de novos empregos devida à maior performance global habilitada por melhores serviços públicos. Mas há forças globais, em ação, muito mais radicais do que as dos estados nacionais.

Enquanto estamos -sobre serviços públicos e estatais- num debate da década de 1970… é possível tratar parte significativa do trabalho como uma combinação de padrões [da ação de humanos, codificada em dados sobre o comportamento das pessoas trabalhando] × aprendizado [de máquina, usando modelos e inteligência artificial para tratar os grandes volumes de dados associados aos padrões de comportamento] × robótica [a automação de ações e processos humanos, eventualmente móvel -robôs…].

Esta equação já afeta todo trabalho do planeta e deslocará 15% do emprego, no Brasil, em 15 anos [bit.ly/2GVa2Px, mck.co/3WgRIol]. Pense. São 15% de desemprego estrutural a mais, em 15 anos, se não houver políticas públicas de grande escala para redesenhar competências, habilidades e oportunidades para tantos brasileiros.

Os “robôs” começaram a trabalhar nas fábricas, depois nos serviços. Agora, robôs começam a fazer o trabalho de escritório que se pensava exclusivo dos humanos… mas não era [bit.ly/3dYK3Kz]. Um dos piores cenários para o impacto da automação na sociedade é a perda de emprego ou diminuição de renda para até 80% dos trabalhadores [dados dos EUA, bit.ly/2IKoh9S]. Isso pode levar ao aumento radical da desigualdade, décadas de transição turbulenta e ao caos social.

E são muitas mudanças ao mesmo tempo: a produção de veículos elétricos demanda 40% menos trabalho do que construção de carros com motor a combustão. Pelo menos uma fábrica que já foi verticalizada e depois se distribuiu em rede de valor planeja um processo de upskilling em escala, pra se reverticalizar [bit.ly/3OdMXsB]. Vai mudar toda a rede de valor, e a “fábrica” vai ficar mais parecida com uma fábrica mesmo, e não com as “montadoras” de hoje.

Automação pode ser benéfica para quase todo mundo se tivermos estratégias para transições -incluindo as dos profissionais-… para o que é preciso uma reforma do sistema educacional e de desenvolvimento de habilidades numa escala nunca antes tentada [bit.ly/2XkjB3B]. Para se ter uma ideia da escla, um estudo [cnb.cx/2yhJJgT] diz que robótica e IA irão “deslocar” [eufemismo pra detonar] 75 milhões de empregos no médio prazo… enquanto criam 133 milhões de postos de trabalho no mesmo período. O aviso aos navegantes? Haverá “mudança significativa nos papéis, locais e qualidade dos novos empregos“.

Lidar com a transformação do trabalho exige pensar -e agir- de forma inovadora. Em Dongguan, China, a indústria em geral diminuiu 280.000 empregos em 5 anos, instalando 91.000 robôs [bit.ly/2tkzhDx]. A prefeitura entrou com parte do investimento em robôs, para a cidade continuar competitiva. Imagine… destruir trabalho deliberadamente. Na China. Enquanto isso, no Brasil…

Um estudo prevê que a China pode perder 26% de seus postos de trabalho em função do impacto de inteligência artificial e tecnologias digitais, mas pode ter um ganho líquido de empregos de 12% -exatamente por causa disso [pwc.to/2NIfg49] se políticas ativas, inovadoras, estiverem em ação no processo. Tudo dependerá da dinâmica. E aqui no Brasil? Pelo visto, Vargas: o petróleo é nosso…

Há muitos cenários [bit.ly/2TWy5pC] para o trabalho daqui a dez anos ou mais. Eles vão de alarmistas [TICs causam desemprego em massa] a sonhadoras, incrementalistas e céticas [velocidade de TICs diminui, AI não é isso tudo]. Mas uma coisa parece certa: entre 1850 e 1970 -do início da era do vapor até o princípio da era dos semicondutores de alta densidade- o trabalho foi empacotado como emprego. De 1970 pra cá, a combinação de [1] globalização, [2] desindustrialização, [3] financialização, [4] virtualização e [5] automação estão desempacotando o emprego [bit.ly/2I7JsCW]. Ao mesmo tempo -e talvez a principal razão pela qual 1-5 acontecem, transformação digital gera uma crise no futuro do trabalho, que [6] desaparece, é [7] modificado, [8] recriado ou [9] surge, novo. E não afeta pessoas e lugares por igual: quanto menor o grau de educação, criatividade e inovação das ocupações, maior o impacto [bit.ly/2Uh2x9w].

Por um lado os efeitos de 1-9 para quem está ou estava no trabalho do passado, podem ir de diminuição de salários, benefícios, amplitude de carreira e segurança, o que pode gerar uma crise épica. Por outro lado, para quem está disposto a criar o trabalho do futuro, pode ser uma imensa oportunidade de desenvolvimento de novos negócios inovadores. Schumpeter, em ação [nesta série, em… bit.ly/3Ysy3Dq].

E nós estamos numa recessão de múltiplas causas, não só de choques provocados por tecnologias, plataformas e ecossistemas. Em recessões, certos tipos de trabalho desaparecem para sempre. Razão? Na crise, as empresas adotam, rápido, novas tecnologias que substituem trabalho -para aumentar performance e reduzir custos, e ao mesmo tempo, se for possível. Consequência? Se seu trabalho sumir numa recessão e você não se reeducar rapidamente, pode se tornar inempregável [whr.tn/2tD9qqi].

Lidar com a transformação do trabalho -em escala social, coisa que deveria ser feita por grandes políticas públicas- exige a combinação de pelo menos 5 estratégias: [1] investir em tecnologia, inovação e crescimento sustentado; [2] promover aprendizado contínuo, focado, de impacto real na evolução das carreiras dos trabalhadores [3]  facilitar ajustes mais suáves para todos os agentes do mercado de trabalho; [4] reduzir as dificuldades daqueles que são deslocados pelo processo de transformação e [5] mitigar os impactos locais -que podem ser muito diferentes em cada geografia [brook.gs/2ImksbE].

A nota quase final, para 2023 e depois, não é alvissareira. O futuro do emprego, nos próximos 15 anos, é preocupante para os países periféricos e de baixa produtividade do trabalho. Mesmo [se for muito] mais caro [por hora], o trabalho nos países ricos, associado aos processos de transformação descritos acima, irá produzir muito mais do que na periferia [bit.ly/LABOR2030]. Para países de analfabetos funcionais e baixa produtividade sistêmica como o Brasil, é o pior dos mundos…

E não está bom nem para o andar de cima: uma pesquisa feita há um ano mostrava 72% dos CEOs temendo perder o emprego em 2022 [não deve ter mudado muito de lá pra cá], face às rupturas em seus setores. Para 94%, seus modelos de negócios precisavam mudar nos próximos 3 anos, mas 57% achava que sua empresa não estava se adaptando e|ou se transformando com agilidade e|ou rapidez suficiente [bit.ly/3Hhj7Pe].

Este é um problema, nas empresas e todos os tipos de organizações, de liderança. O líder estabelece e evolui o propósito, razão do e para o esforço de todos, cria times, cria redes e resolve problemas; dá exemplo, engaja, ouve muito, fala pouco, pondera, empodera, aceita decisões dos liderados, decide e assume riscos quando o time não consegue, toma para si os erros, para transformar, com todos, em aprendizados [bit.ly/3Ui28ms]. Poder não é liderança. Há quem alcance o poder sem ter condições de ser liderado sequer. Precisamos -e o trabalho e o emprego global demandam- de muito mais líderes e muito menos poderosos.

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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