SILVIO MEIRA

as oportunidades digitais da copa. e não só.

a copa [no brasil] e a olimpíada [com ela, no rio] vão resolver todos os problemas do país. da cobertura de celular e banda larga móvel [em quantidade e qualidade] às crateras das ruas e avenidas de recife e das grandes metrópoles, passando por lixo e reciclagem, planejamento urbano, segurança, ensino de línguas nas escolas, qualidade dos hospitais e postos de saúde… sem falar na solução definitiva dos problemas de mobilidade urbana e transporte público. acho que esqueci as enchentes… mas capaz de estarem no pacote também. e a lei geral da copa, instrumento de exceção imposto ao país pela [e para a FIFA], pode não só trazer a cerveja de volta aos estádios, mas vai garantir que esteja geladíssima, sempre.

claro que muito pouco de tudo isso vai acontecer de fato, a não ser –pelo andar da carruagem- a lei geral copa, que deverá valer de vinte dias antes do primeiro jogo até cinco dias depois do último. coisas do futebol. e de países sujeitos a ele, talvez. mas o certo é que a esperança messiânica de setores inteiros da economia e do pensamento nacional quase que exigem que a copa e olimpíada, além de serem grandes oportunidades, sejam também a solução definitiva para problemas seculares do país, como o verdadeiro ensino de línguas nas escolas, problema que pode ter a ver, até, com a baixa penetração das pequenas empresas brasileiras nos mercados internacionais, dado que, aqui, falar inglês é raro e caro.

deixando o contexto mais amplo de lado, o motivo deste post é um debate promovido pelo sebrae-DF sobre oportunidades digitais criadas pela ou por causa da copa de 2014, do qual tive o prazer de participar. o cenário do "digital" pode ser descrito, por um lado, pelas tecnologias que suportam a…

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informaticidade, ou computação, comunicação e controle. uma parte do problema é usar o que existe de tecnologia e infraestruturas associadas para resolver [ou criar] problemas e levar ao mercado soluções que façam surgir novos negócios inovadores de crescimento empreendedor. outra parte é [re]criar as próprias tecnologias associadas à  informaticidade, se bem que o esforço, aqui, é consideravelmente maior, mais complexo e, normalmente, fora do alcance da quase totalidade das micro e pequenas empresas.

informaticidade traz as pessoas para ambientes digitais, conectados, onde mobilidade informacional é a norma e, breve, onde programabilidade de parte da solução pessoal e do contexto global também pode vir a ser a regra, ao invés da exceção. o contexto criado por tal conjunção de fatores é mostrado abaixo…

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…e quer descrever um espaço de fluxos que conectam pessoas, que estão [ou estariam, ou estarão] usando [e/ou falando sobre e se relacionando com] coisas [pense ônibus, carros, ruas, sinais de trânsito] e instituições [pense nas de saúde, educação, segurança…] e, claro, com as marcas espalhadas por todo canto e querendo participar de todas as interações, afinal de contas isso é um mercado. um mercado social, de grandes oportunidades.

negócios associados a grandes eventos que usem ou dependam do digital, conectado, móvel e programável não precisam, necessariamente, da copa ou olimpíada como contexto ou [nicho de] mercado. na verdade, somos um país de grandes eventos, que ocorrem há tempos, durante todo o ano, em quase toda parte. o slide abaixo, da minha apresentação no debate do sebrae-DF, tem uma pequena lista de possibilidades, que não incluiu nem o são joão do nordeste, por absoluta falta de espaço.

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qual é a ideia? simples: se você vai fazer alguma coisa muito interessante para a copa, porque não haveria de começar pelo campeonato brasileiro? isso aqui não é o qatar, onde vai ser a copa de 2022, que tem 1/9 da área de pernambuco e a população de recife. o conjunto anual dos campeonatos brasileiros e estaduais é muito maior do que qualquer coisa que veremos, localmente, na copa. os carnavais de pelo menos tres cidades [rio, recife, salvador], idem. aqueles engarrafamentos de 250km de são paulo, também. a quantidade de pessoas fora de casa, em busca de informação e serviços, a cada verão, é muito, mas muito maior do que os 500 mil turistas que devem visitar o país em 2014, se a crise econômica mundial deixar. pra se ter uma ideia, as praias de natal atraem quatro vezes mais turistas do que os estrangeiros previstos para a copa. e há o ENEM, os concursos, que também são "eventos", de longa duração, que atraem milhões de pessoas…

qual é a mensagem? se você vai fazer alguma coisa para a copa, não espere pela copa. o mesmo vale para a olimpíada. já temos muitos problemas muito relevantes que podem começar a ser resolvidos agora, em eventos nacionais de classe mundial que representam oportunidades gigantescas. a copa pode ser o vetor de espalhamento internacional da sua solução.

ao mesmo tempo, não pense que só nós estamos olhando para a copa no brasil. ou para a olimpíada. todos estão, especialmente os que já estão associados a tais eventos há tempos. a rede de valor é complexa, de grande porte, e não há espaço e tempo para improvisação muito perto da FIFA. como se não bastasse, iniciativas como airBnb e couchsurfing são mundiais e certamente serão usadas por gente que já faz parte de suas redes e vem pra cá nos grandes eventos.

e qual é a oportunidade? criar, a partir daqui, e em função de competências que temos ou estamos desenvolvendo nos nossos próprios grandes eventos "nacionais", soluções de classe mundial [mesmo que locais] capazes de gerar os novos negócios inovadores de crescimento empreendedor dos quais este blog tanto fala. até porque, se não for pra fazer isso, pode ser melhor…

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…afinal de contas, o carnaval vem aí… e tem todo santo ano.

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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