SILVIO MEIRA

Carl Sagan, a internet e o bostejo

Vivemos em uma era de interconectividade sem precedentes, onde a informação se propaga em uma velocidade espantosa através das redes sociais e outros meios digitais. Se por um lado essa interconexão possibilita um acesso incomparável a informação, por outro facilita a disseminação de desinformação e pseudociência.

Carl Sagan, n’O Mundo Assombrado pelos Demônios [tinyurl.com/2adfrn3t] apresenta um conjunto de ferramentas que denomina um “kit de detecção de bostejo” [baloney detection kit], essencial para navegar em tsunamis de informação duvidosa. Publicado em 1996, e uma crítica do livro, escrita 15 anos depois da publicação, dizia que Sagan “…did not expect people to know the facts of science – and he was conscious of science’s own occasional complacencies – but he did want people to understand the substance of science: the notion that startling claims should be supported by evidence that can be tested and challenged”. Sagan era um cientista de verdade [tinyurl.com/v7bkxtkv].

No entanto, ao contrário da época de Sagan, enfrentamos hoje um desafio adicional: a natureza complexa e interligada das narrativas em rede.

A desinformação não é mais uma questão de dados incorretos ou enganosos, mas de narrativas cuidadosamente construídas que exploram nossos preconceitos e emoções. As redes sociais, como Facebook, Twitter, e Instagram, bem como plataformas de compartilhamento de vídeos como YouTube e TikTok, são terrenos férteis para a proliferação de boatos, teorias da conspiração e fraudes. A viralidade das postagens permite que informação falsa alcance milhões de pessoas em questão de horas, minutos até, criando bolhas informativas e câmaras de eco que reforçam vieses preexistentes e dificultam a correção de equívocos.

A interconexão global, facilitada pela internet, não só ampliou o alcance da desinformação, mas também complicou a sua natureza. As narrativas agora são tecidas em um complexo tecido de informação fragmentada, onde fato e ficção se entrelaçam de maneiras que podem ser difíceis de desenredar. Em vez de enfrentarmos um simples problema de correção de informação errada, lidamos com um ambiente onde a própria estrutura da rede contribui para a desorientação cognitiva. Isso cria um terreno fértil para o “bostejo” prosperar, pois explora não apenas nossa falta de conhecimento, mas também nossas vulnerabilidades emocionais e cognitivas.

Bostejo é misinformaçãomalinformação e desinformação [e não começou com a internet: bit.ly/2PIXXip]. Uma lista de leituras e descobertas sobre o perigo de dados imprecisos, meias verdades e fakenews está no link bit.ly/3qnT5RY.

Narrativas que não se sustentam em fatos e dados são um problema não trivial. Segundo a Lei de Brandolini [ou o princípio da assimetria do bostejo: go.nature.com/3Jyrevh], revisada para dar conta de fakenews, refutar bostejo criado e espalhado por redes negacionistas demanda energia ordens de magnitude maior do que a usada para produzi-lo.

A vasta maioria das pessoas não dispõe de tal energia, em tempo, conhecimento, recursos. E o bostejo não é habilitado só pela estrutura da rede, mas por seus algoritmos: um estudo [nbcnews.to/3egIIM6] com 37.000 pessoas em Youtube mostra que 71% dos vídeos reportados como malinformação, desinformação, teorias da conspiração, etc… foram recomendados pelos algoritmos do site, mesmo quando violam as políticas de uso do negócio. Muito complicado. E deliberado.

Neste contexto, a importância das técnicas de Carl Sagan para detectar “bostejo” se torna ainda mais crítica. As ferramentas que ele propõe são pensadas para promover o pensamento crítico e a análise racional, ajudando-nos a distinguir entre informação verídica e fraudulenta. No entanto, essas técnicas precisam ser adaptadas e ampliadas para abordar os desafios específicos do mundo interconectado de hoje.

Por exemplo, Sagan enfatiza a necessidade de confirmação independente dos fatos. Em um mundo onde notícias falsas podem ser disseminadas por qualquer pessoa com acesso à internet, a capacidade de verificar informação de forma independente se torna vital. Além disso, o ambiente digital requer habilidades adicionais, como literacia digital, que inclui a capacidade de avaliar credibilidade das fontes online e compreender como algoritmos de mídia social podem influenciar o que vemos e acreditamos.

Além da confirmação dos fatos, Sagan destaca a importância do debate substantivo e informado, algo que muitas vezes falta nas discussões online. As redes sociais tendem a encorajar debates polarizados, onde as pessoas escolhem lados em vez de considerar todas as evidências de maneira equilibrada. A promoção de um debate saudável e informado é essencial para uma compreensão mais profunda e menos tendenciosa dos problemas complexos que enfrentamos.

Outro aspecto crucial que Sagan aborda é a desconfiança de argumentos de autoridade. Embora o respeito pelos especialistas seja importante, a aceitação cega de suas afirmações pode ser perigosa, especialmente em um mundo onde influenciadores e figuras públicas frequentemente fazem alegações impactantes. A capacidade de avaliar criticamente esses argumentos é vital para manter a integridade do debate público.

A consideração de múltiplas hipóteses é outra técnica fundamental que Sagan propõe. Em ciência, essa abordagem ajuda a evitar o viés de confirmação, onde buscamos apenas informação que apoia nossas crenças preexistentes. No contexto das redes, isso significa avaliar criticamente todas as explicações possíveis para um evento, em vez de aceitar a primeira explicação que parece fazer sentido.

Finalmente, Sagan lembra da importância de não nos apegarmos emocionalmente a uma ideia. Em um ambiente onde as opiniões são frequentemente defendidas com fervor, manter um certo desapego intelectual é essencial para avaliar objetivamente a informação. Esse desapego permite que consideremos todas as evidências e ajustemos nossas crenças conforme necessário.

Em suma, o “kit de detecção de bostejo” de Sagan, adaptados ao contexto das redes sociais e da interconexão digital, pode nos equipar melhor para identificar e combater a desinformação, promovendo um ambiente informativo mais saudável e racional. Este é um passo essencial para garantir que, em meio à abundância de informação, possamos discernir a verdade e tomar decisões informadas, no nível individual e coletivo.

Kit de Detecção de Bostejo

No contexto das redes sociais e da internet, o kit de Sagan é mais necessário do que nunca. Vamos explorar cada uma das ferramentas, situando seu uso na era digital e dando exemplos contemporâneos.

1. Confirmação Independente dos Fatos

Definição: Sempre que possível, deve haver confirmação independente dos fatos.

Relevância: Na era digital, a propagação de informação falsa pode ocorrer em questão de segundos. A confirmação independente é crucial para verificar a veracidade de qualquer afirmação antes de compartilhá-la.

Exemplo: Se você encontrar uma notícia chocante no Twitter sobre um evento político, procure fontes confiáveis e independentes que possam confirmar a informação, como grandes veículos de informação [FSP, CBN] ou organizações de checagem de fatos [AosFatos, FatoOuFake].

Ferramentas: Utilizar plataformas de checagem de fatos, Google Scholar para verificar estudos científicos e consultar bancos de dados confiáveis para verificar informação.

2. Debate Substantivo e Informado

Definição: Incentivar o debate substantivo sobre as evidências por proponentes conhecedores de todos os pontos de vista.

Relevância: As redes sociais tendem a promover debates polarizados e superficiais. Promover discussões profundas e baseadas em evidências é essencial para uma compreensão equilibrada dos tópicos.

Exemplo: Em fóruns como Reddit ou Quora, engajar-se em discussões apresentando evidências de estudos revisados por pares e fontes confiáveis, em vez de confiar em opiniões não fundamentadas.

Ferramentas: Moderadores ativos em plataformas de discussão, políticas de moderação que incentivem a apresentação de fontes e evidências, e ferramentas de votação que destaquem contribuições de alta qualidade.

3. Argumentos de Autoridade

Definição: Argumentos de autoridade têm pouco peso – autoridades cometem erros; o que importa são as evidências.

Relevância: Influenciadores e figuras públicas muitas vezes são vistos como autoridades, mas suas afirmações devem ser verificadas independentemente.

Exemplo: Um influenciador no Instagram pode recomendar um suplemento de saúde sem base científica. Verifique as alegações com estudos científicos e declarações de órgãos de saúde reconhecidos, como a OMS ou ANVISA.

Ferramentas: Uso de bancos de dados científicos como PubMed, consultas a especialistas reconhecidos na área e uso de plataformas de revisão por pares para verificar alegações.

4. Múltiplas Hipóteses

Definição: Pense em mais de uma hipótese para explicar um fenômeno e teste-as sistematicamente.

Relevância: Em debates online, considerar várias explicações possíveis para um evento evita o viés de confirmação.

Exemplo: Ao discutir a causa de um problema ambiental em um fórum, considere e teste hipóteses alternativas, como poluição industrial, mudanças climáticas naturais e práticas agrícolas inadequadas.

Ferramentas: Métodos de análise de dados, simulações computacionais e debates em fóruns científicos que incentivem a consideração de múltiplas hipóteses.

5. Apego à Hipótese

Definição: Evite apegar-se emocionalmente a uma hipótese; ela é apenas uma estação na busca pelo conhecimento.

Relevância: No calor das discussões online, é comum as pessoas se apegarem às suas opiniões iniciais. Manter a mente aberta é crucial.

Exemplo: Em debates sobre políticas públicas no Facebook, esteja disposto a ajustar suas opiniões com base em novas evidências e argumentos apresentados durante a discussão.

Ferramentas: Discussões moderadas, feedback construtivo e ambientes que incentivem a revisão de opiniões com base em novas informação.

6. Quantificação

Definição: Sempre que possível, quantifique suas observações para discriminar entre hipóteses concorrentes.

Relevância: Dados quantitativos ajudam a tornar os argumentos mais objetivos e menos sujeitos a interpretações errôneas.

Exemplo: Em um debate sobre os efeitos das vacinas, utilize dados de estudos clínicos para apoiar suas alegações, como taxas de eficácia e incidência de efeitos colaterais.

Ferramentas: Ferramentas de visualização de dados como Google Data Studio, plataformas de análise estatística e bancos de dados abertos.

7. Cadeia de Argumentos

Definição: Se há uma cadeia de argumentos, todos os elos devem funcionar [inclusive a premissa].

Relevância: Muitos argumentos online são baseados em premissas falhas ou incompletas. Garantir que todos os elos da cadeia sejam sólidos é crucial.

Exemplo: Ao argumentar sobre a eficácia de uma política econômica no LinkedIn, assegure-se de que cada premissa seja apoiada por dados e análises sólidas.

Ferramentas: Software de modelagem lógica, revisão por pares e debates estruturados que permitam a verificação de cada etapa do argumento.

8. Navalha de Occam

Definição: Quando confrontado com duas hipóteses que explicam os dados igualmente bem, escolha a mais simples.

Relevância: Teorias da conspiração muitas vezes oferecem explicações complexas e infundadas. A Navalha de Occam ajuda a escolher a explicação mais provável e direta.

Exemplo: Em discussões sobre a origem do COVID-19, prefira hipóteses baseadas em evidências científicas [como a zoonose] em vez de teorias complicadas sem base factual.

Ferramentas: Métodos de análise crítica, plataformas de discussão científica e revisão por especialistas para avaliar a simplicidade e plausibilidade das hipóteses.

9. Falsificabilidade

Definição: Sempre pergunte se a hipótese pode ser, em princípio, falsificada.

Relevância: Hipóteses não testáveis ou infalsificáveis são comuns em debates online e não contribuem para a busca do conhecimento.

Exemplo: Em uma discussão sobre vida extraterrestre em um grupo do Facebook, uma alegação de que “alienígenas existem e controlam tudo, mas não deixam evidências” não pode ser testada e, portanto, é infalsificável.

Ferramentas: Aplicação do método científico, debates estruturados que incentivem a apresentação de evidências e revisão por pares.

Resumo…

Adotar e adaptar o “kit de detecção de bostejo” de Carl Sagan para o contexto digital é essencial para navegar pelo mar de informação na internet de hoje. Verificação independente dos fatos, promoção de debates informados, desconfiança de argumentos de autoridade, consideração de múltiplas hipóteses, desapego emocional, quantificação, robustez de cadeias de argumentos, aplicação da Navalha de Occam e insistência na falsificabilidade formam um conjunto poderoso de ferramentas para combater a desinformação.

Falácias Comuns

Além de ferramentas para a avaliação crítica de alegações de conhecimento, um bom kit de detecção de bostejo também deve nos ensinar o que não fazer. Reconhecer as falácias mais comuns e perigosas de lógica e retórica é essencial para navegar no complexo ambiente das redes sociais. As plataformas digitais são frequentemente arenas para debates intensos, onde argumentos falaciosos proliferam devido à rapidez e à informalidade das interações.

Muitos desses erros de lógica são amplamente utilizados em discussões online, onde a pressão para responder rapidamente e de maneira persuasiva pode levar ao uso de argumentos que parecem convincentes, mas que na verdade são falhos. As falácias podem surgir em diversos contextos, incluindo política, religião, pseudociência e até mesmo em debates sobre questões cotidianas.

As falácias descritas a seguir –também parte do capítulo do livro de Sagan que trata da deteçcão de bostejo– são comuns nas redes sociais e representam armadilhas que qualquer pessoa minimamente crítica deve estar preparada para identificar e evitar. Ao entender essas falácias, podemos melhorar a qualidade das discussões online, promover o pensamento crítico e contribuir para um ambiente digital mais saudável e informativo.

1. Ad hominem

Definição: Atacar o argumentador em vez de abordar o argumento.

Relevância: Em debates online, é comum ver ataques pessoais em vez de discussões racionais sobre o mérito das ideias apresentadas.

Exemplo: Em uma discussão no Twitter sobre mudanças climáticas, alguém pode responder a um cientista ambiental dizendo: “Você não sabe do que está falando, você nem é climatologista!” Em vez de abordar os pontos específicos apresentados pelo cientista, o ataque ad hominem desvia a atenção para a qualificação pessoal, ignorando o conteúdo do argumento.

Ferramentas: Plataformas de moderação que destacam argumentos focados no mérito das ideias, e não em ataques pessoais, e extensões de navegador que sinalizam automaticamente comentários ad hominem.

2. Argumento de autoridade

Definição: Argumentos de autoridade têm pouco peso – autoridades cometem erros; o que importa são as evidências.

Relevância: Influenciadores e figuras públicas muitas vezes são vistos como autoridades, mas suas afirmações devem ser verificadas independentemente.

Exemplo: Um influenciador no Instagram pode recomendar um suplemento de saúde sem base científica. Verifique as alegações com estudos científicos e declarações de órgãos de saúde reconhecidos, como a OMS ou a ANVISA.

Ferramentas: Uso de bancos de dados científicos como PubMed, consultas a especialistas reconhecidos na área e uso de plataformas de revisão por pares para verificar alegações.

3. Argumento de consequências adversas

Definição: Afirmar que uma proposição é verdadeira ou falsa com base nas consequências desejáveis ou indesejáveis de sua verdade.

Relevância: Em debates online, as pessoas frequentemente argumentam que algo deve ser verdade ou falso com base nos efeitos positivos ou negativos que acreditam que a proposição terá.

Exemplo: Em discussões sobre políticas públicas no Facebook, alguém pode argumentar que uma determinada lei deve ser implementada porque evitaria crimes, sem apresentar evidências de que a lei realmente reduziria a criminalidade.

Ferramentas: Análise de impacto e estudos prospectivos que avaliam as consequências reais das políticas, além de debates estruturados que separam a avaliação das políticas das suas consequências.

4. Apelo à ignorância

Definição: Afirmar que algo é verdade simplesmente porque não foi provado falso, e vice-versa.

Relevância: Em discussões sobre fenômenos inexplicáveis, como avistamentos de OVNIs, essa falácia é frequentemente usada.

Exemplo: Em um grupo do Facebook dedicado a fenômenos paranormais, alguém pode dizer: “Ninguém conseguiu provar que os fantasmas não existem, então eles devem ser reais.” A ausência de evidência contra não constitui evidência a favor.

Ferramentas: Plataformas de checagem de fatos, bases de dados científicas e uso de métodos de investigação científica para examinar alegações.

5. Pedido de princípio [petição de princípio]

Definição: Assumir a verdade do que se está tentando provar.

Relevância: Em debates online, é comum ver afirmações que assumem a verdade da conclusão dentro da premissa.

Exemplo: Em um debate sobre a pena de morte no Reddit, alguém pode argumentar: “Devemos instituir a pena de morte porque ela reduz os crimes violentos”, sem fornecer evidências de que a pena de morte realmente reduz a criminalidade.

Ferramentas: Revisão por pares, debates estruturados que exigem evidências empíricas para apoiar premissas e utilização de bases de dados para validar alegações.

6. Seleção observacional

Definição: Dar atenção apenas às evidências que apoiam a própria hipótese, ignorando aquelas que a contradizem.

Relevância: Isso é comum em debates políticos e em pseudociência.

Exemplo: No Instagram, um usuário pode postar sobre os benefícios de uma dieta extrema, citando apenas casos de sucesso e ignorando relatos de falhas ou efeitos colaterais negativos.

Ferramentas: Ferramentas de análise de dados que consideram todas as evidências, sistemas de revisão por pares e plataformas que incentivam a transparência e a divulgação completa dos dados.

7. Estatísticas de pequenos números

Definição: Tirar conclusões baseadas em um número muito pequeno de exemplos.

Relevância: Em discussões online, as pessoas frequentemente usam exemplos anedóticos para fazer generalizações amplas.

Exemplo: Em um fórum de saúde, alguém pode afirmar que uma cura alternativa é eficaz porque conhece duas pessoas que melhoraram com o tratamento, ignorando a necessidade de estudos clínicos maiores.

Ferramentas: Ferramentas de análise estatística, bancos de dados de estudos clínicos e revisão por pares para verificar a robustez das amostras utilizadas nas alegações.

8. Desentendimento básico de estatística

Definição: Entender mal a natureza das estatísticas e tirar conclusões errôneas com base nisso.

Relevância: As estatísticas são frequentemente mal interpretadas ou mal utilizadas em debates online.

Exemplo: Em uma discussão sobre inteligência no Twitter, alguém pode dizer: “Metade das pessoas tem inteligência abaixo da média”, sem entender que essa é uma característica intrínseca de uma distribuição normal.

Ferramentas: Ferramentas de visualização de dados, cursos de literacia estatística online e plataformas de checagem de fatos que explicam conceitos estatísticos.

9. Inconsistência

Definição: Aplicar padrões diferentes em situações semelhantes.

Relevância: Em debates online, as pessoas frequentemente usam argumentos inconsistentes para apoiar suas posições.

Exemplo: Em um debate sobre política ambiental, alguém pode argumentar que devemos ignorar as previsões científicas sobre mudanças climáticas porque não são comprovadas, enquanto aceita prontamente outras previsões científicas menos rigorosas.

Ferramentas: Ferramentas de análise lógica, plataformas de debate que destacam inconsistências e revisão por pares para garantir a consistência dos argumentos.

10. Non sequitur

Definição: Conclusão que não segue logicamente das premissas.

Relevância: Muitas vezes, as conclusões em debates online não têm conexão lógica com as premissas apresentadas.

Exemplo: Em um fórum sobre política, alguém pode afirmar: “Devemos reduzir os impostos porque Deus é grande”, uma conclusão que não segue logicamente da premissa.

Ferramentas: Plataformas de análise lógica, sistemas de debate que incentivam a lógica formal e cursos online de lógica.

11. Post hoc, ergo propter hoc

Definição: Afirmar que uma coisa causou outra simplesmente porque ocorreu antes.

Relevância: Em discussões online, essa falácia é frequentemente usada para estabelecer causalidade onde não existe.

Exemplo: Em um blog sobre saúde, alguém pode afirmar: “Eu tomei um suplemento e depois minha saúde melhorou; portanto, o suplemento foi a causa”, ignorando outras possíveis causas para a melhora.

Ferramentas: Ferramentas de análise causal, revisão por pares e plataformas de checagem de fatos que examinam a relação causal entre eventos.

12. Questão sem sentido

Definição: Perguntas que são logicamente impossíveis de responder.

Relevância: Discussões online frequentemente incluem questões que não têm significado lógico.

Exemplo: Em um fórum filosófico, alguém pode perguntar: “O que acontece quando uma força irresistível encontra um objeto imóvel?”, ignorando que a premissa é contraditória.

Ferramentas: Plataformas de debate que incentivam a clareza lógica e cursos de filosofia que explicam falácias e paradoxos.

13. Falsa dicotomia [exclusão do meio]

Definição: Considerar apenas duas alternativas quando há um espectro de possibilidades.

Relevância: Em debates online, é comum ver discussões polarizadas que ignoram soluções intermediárias.

Exemplo: Em uma discussão política no Facebook, alguém pode afirmar: “Ou você apoia esta política ou você é contra o Brasil”, ignorando outras posições possíveis.

Ferramentas: Ferramentas de análise de espectro político, plataformas de debate que incentivam a consideração de múltiplas perspectivas e cursos de resolução de conflitos.

14. Curto prazo vs. longo prazo

Definição: Enfatizar apenas os efeitos de curto prazo, ignorando as implicações de longo prazo.

Relevância: Em debates sobre políticas públicas, as discussões frequentemente focam nos efeitos imediatos em vez das consequências de longo prazo.

Exemplo: Em um debate sobre gastos governamentais no Twitter, alguém pode argumentar contra programas de educação porque são caros, sem considerar os benefícios de longo prazo para a sociedade.

Ferramentas: Ferramentas de análise de impacto de longo prazo, estudos prospectivos e plataformas de debate que incentivam a consideração dos efeitos de curto e longo prazo.

15. Ladeira escorregadia

Definição: Argumentar que um pequeno passo levará inevitavelmente a uma cadeia de eventos negativos.

Relevância: Essa falácia é comum em debates sobre políticas sociais e legislativas.

Exemplo: Em um debate sobre a legalização da maconha no Facebook, alguém pode argumentar: “Se legalizarmos a maconha, inevitavelmente acabaremos legalizando todas as drogas”, sem considerar que cada substância pode ser regulamentada de maneira diferente.

Ferramentas: Análise de políticas comparativas, revisão por pares e plataformas de debate que incentivam a avaliação de cada caso de forma independente.

16. Confusão entre correlação e causalidade

Definição: Assumir que porque duas coisas ocorrem juntas, uma causa a outra.

Relevância: Essa falácia é comum em discussões sobre saúde, ciência e política.

Exemplo: Em um blog de saúde, alguém pode afirmar: “Pessoas que comem mais chocolate têm menos doenças cardíacas; portanto, comer chocolate previne doenças cardíacas”, ignorando outros fatores como estilo de vida e genética.

Ferramentas: Ferramentas de análise estatística, revisão por pares e cursos de metodologia científica que explicam a diferença entre correlação e causalidade.

17. Homem de palha

Definição: Caricaturar uma posição para torná-la mais fácil de atacar.

Relevância: Em debates online, é comum ver simplificações exageradas dos argumentos do oponente para facilitar a refutação.

Exemplo: Em um debate sobre mudanças climáticas, alguém pode argumentar: “Os cientistas dizem que devemos parar de usar qualquer tipo de energia que não seja solar”, quando na verdade, a posição científica pode ser [na verdade, é] sobre a diversificação de fontes de energia.

Ferramentas: Plataformas de debate que incentivam a representação fiel dos argumentos e revisão por pares para garantir a precisão das posições representadas.

18. Evidência suprimida ou meia-verdade

Definição: Apresentar apenas parte da informação, omitindo dados importantes que poderiam mudar a interpretação.

Relevância: Em redes sociais, é comum ver informação fora de contexto que enganam o público.

Exemplo: Um vídeo no YouTube pode apresentar um trecho de uma entrevista de um cientista fora de contexto, fazendo parecer que ele apoia uma teoria da conspiração.

Ferramentas: Ferramentas de checagem de fatos, plataformas de transparência de dados e incentivos à apresentação completa e contextualizada de informação.

19. Palavras ambíguas

Definição: Uso de termos vagos ou ambíguos para criar uma impressão enganosa.

Relevância: Políticos e influenciadores frequentemente usam linguagem ambígua para evitar compromissos claros ou criar uma falsa impressão de segurança.

Exemplo: Um político pode dizer: “Estamos tomando medidas para garantir a segurança”, sem especificar quais medidas estão sendo tomadas ou como serão implementadas.

Ferramentas: Ferramentas de análise semântica, plataformas de debate que incentivam a clareza e a especificidade e cursos de literacia digital que ensinam a reconhecer e questionar o uso de linguagem ambígua.

Ao reconhecer e evitar tais falácias, podemos melhorar significativamente a qualidade dos debates online e promover um ambiente informativo mais saudável e racional.

Desafios no Mundo em Rede

Dito tudo isso… as redes sociais transformaram radicalmente a maneira como consumimos e compartilhamos informação. Com a proliferação de plataformas como Facebook, Twitter, Instagram e TikTok, a velocidade e o alcance da desinformação aumentaram exponencialmente, tornando cada vez mais difícil discernir a verdade. Fake news, teorias da conspiração e pseudociência encontram um terreno fértil nas plataformas digitais, onde a confirmação independente dos fatos e o debate informado são frequentemente negligenciados. Esses desafios contemporâneos exigem uma adaptação das ferramentas do kit de detecção de bostejo de Carl Sagan para o ambiente digital.

A Estrutura das Redes e seu Impacto

A estrutura das redes sociais influencia profundamente a maneira como a informação é criada, disseminada e consumida. As conexões entre os usuários, os relacionamentos e as interações formam uma complexa teia que molda o comportamento da rede. Essa estrutura, por sua vez, é moldada pelo comportamento da rede, criando um ciclo dinâmico que determina quais conteúdos se espalham em escala e quais são ignorados.

As redes sociais funcionam em grande parte em função de algoritmos que priorizam conteúdos com maior potencial de engajamento. Isso significa que postagens emocionais, polarizadoras ou sensacionalistas tendem a receber mais visibilidade. Além disso, os algoritmos das plataformas são projetados para maximizar o tempo de permanência dos usuários e a monetização do conteúdo, criando incentivos para a criação e compartilhamento de informação que nem sempre são precisas ou confiáveis.

Um estudo de Vosoughi, Roy e Aral [The spread of true and false news online, 2018, bit.ly/3K6v3GU], publicado na revista Science, demonstrou que notícias falsas se espalham mais rapidamente e amplamente do que as verdadeiras nas redes sociais. O estudo analisou o comportamento de mais de 126 mil rumores compartilhados no Twitter ao longo de 11 anos, descobrindo que as fakenews eram 70% mais propensas a serem retweetadas do que notícias verdadeiras.

Desafios da Viralidade e dos Incentivos

Os desafios da desinformação em redes sociais não se limitam à simples viralidade de uma mensagem qualquer. Eles estão enraizados na própria arquitetura e nos mecanismos de quase todas as plataformas, que incentivam certos tipos de conteúdo e comportamentos. A viralidade é, portanto, um sintoma de um problema estrutural mais profundo.

Gravidade Digital de “Key Opinion Leaders”

Os “Key Opinion Leaders” [KOLs] ou influenciadores desempenham um papel significativo na disseminação de informação nas redes sociais. Eles possuem uma grande quantidade de seguidores e sua opinião tem um peso desproporcional no comportamento da rede. Quando um KOL compartilha uma informação, ela pode rapidamente se espalhar por toda a rede devido à confiança que seus seguidores depositam neles. Isso aumenta a responsabilidade desses líderes em verificar a veracidade da informação que compartilham.

Efeitos de Rede

Os efeitos de rede referem-se ao fenômeno pelo qual o valor de um produto ou serviço aumenta à medida que mais pessoas o utilizam. No contexto das redes sociais, isso significa que a popularidade de uma plataforma pode amplificar a disseminação de desinformação, pois cada novo usuário potencialmente amplia a audiência para conteúdos falsos ou enganosos. Além disso, os efeitos de rede criam câmaras de eco, onde as pessoas são expostas repetidamente a informação que reforçam suas crenças preexistentes.

Impactos e Soluções

Os desafios apresentados pelas redes sociais na disseminação de desinformação são vastos e complexos. Para enfrentar esses desafios, precisamos de soluções robustas que abordem tanto as estruturas e incentivos das redes quanto as práticas individuais de consumo de informação. Vamos explorar essas soluções em maior profundidade, considerando como a arquitetura das plataformas e os comportamentos dos usuários podem ser ajustados para promover uma comunicação mais saudável e informada.

Verificar Fontes

A verificação de fontes é um pilar fundamental no combate à desinformação. No ambiente digital, onde qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa, a capacidade de distinguir entre fontes confiáveis e não confiáveis é crucial.

Imagine que você lê uma postagem viral no Twitter afirmando que um novo estudo descobriu que uma determinada vitamina pode curar o câncer. Antes de compartilhar, você deve procurar o estudo original publicado em uma revista científica revisada por pares, como The Lancet ou New England Journal of Medicine. Ferramentas como Google Scholar e bases de dados acadêmicas podem ser utilizadas para essa verificação. Além disso, verificar se outras fontes confiáveis estão relatando a mesma descoberta pode ajudar a confirmar sua veracidade.

Ferramentas como AosFatos, FatoOuFake e Boatos [tinyurl.com/3npjepm5]  são essenciais para verificar rapidamente a veracidade de uma alegação. Essas plataformas empregam jornalistas e pesquisadores para investigar e debater informação, oferecendo um serviço crucial no ecossistema digital.

Promover Debates Saudáveis

Promover debates saudáveis e informados é essencial para um ambiente digital produtivo. Isso requer tanto mudanças na cultura das interações online quanto melhorias nas plataformas que facilitam esses debates.

Em fóruns de discussão e seções de comentários, promover a moderação ativa para garantir que os debates se mantenham respeitosos e focados nas evidências é vital. Por exemplo, no Reddit, subreddits específicos podem ter moderadores que aplicam regras estritas para manter o foco nos fatos e evitar ataques pessoais. No Twitter, campanhas de conscientização podem incentivar os usuários a questionar educadamente e a fornecer fontes para suas afirmações.

Plataformas como Facebook e Twitter podem implementar algoritmos que destacam respostas que são bem fundamentadas e baseadas em evidências, enquanto diminuem a visibilidade de comentários inflamados ou sem fundamentos. Além disso, fornecer ferramentas para marcar facilmente fontes confiáveis diretamente nas postagens pode ajudar a elevar o nível do debate.

Educar Sobre Falácias

A educação sobre falácias é uma abordagem proativa para melhorar a qualidade do discurso público. Ensinar as pessoas a reconhecer e evitar falácias pode reduzir significativamente a propagação de argumentos enganosos.

Criar conteúdos educativos, como infográficos, vídeos e cursos online que explicam falácias lógicas, pode ser disseminado amplamente nas redes sociais. Plataformas de ensino como Coursera, Khan Academy e YouTube podem oferecer cursos gratuitos sobre pensamento crítico e detecção de falácias. Instituições de ensino também podem incorporar essa educação em seus currículos, preparando os alunos desde cedo para serem consumidores críticos de informação.
Lançar campanhas de conscientização nas redes sociais pode ajudar a popularizar o conhecimento sobre falácias. Hashtags educativas e desafios interativos que incentivam os usuários a identificar falácias em discursos populares podem engajar uma ampla audiência.

Fomentar a Literacia Digital

A literacia digital é a capacidade de navegar, avaliar e criar informação de maneira crítica e responsável no ambiente digital. Fomentar essa habilidade é crucial para enfrentar a desinformação.

Workshops online sobre literacia digital podem ser oferecidos para diferentes grupos etários e demográficos. Esses workshops podem ensinar habilidades como a identificação de fontes confiáveis, a análise crítica de conteúdos virais, e a compreensão de como os algoritmos das redes sociais funcionam.

Escolas e universidades podem integrar a literacia digital em seus currículos. Cursos obrigatórios sobre pensamento crítico, análise de mídia e ética digital podem preparar os estudantes para serem cidadãos digitais responsáveis.

Empresas de tecnologia podem colaborar com instituições educacionais para desenvolver programas de literacia digital. Por exemplo, Google e Facebook poderiam oferecer módulos de treinamento sobre verificação de fatos e segurança online como parte de suas iniciativas de responsabilidade social.

Ajustando Algoritmos e Incentivos das Plataformas

Os algoritmos que determinam quais conteúdos são exibidos nas redes sociais desempenham um papel crucial na disseminação de desinformação. Ajustar esses algoritmos para priorizar a precisão e a qualidade da informação sobre o engajamento pode ser uma parte importante da solução.

Plataformas como Facebook e YouTube podem ajustar seus algoritmos para reduzir a promoção de conteúdos sensacionalistas e conspiratórios. Isso pode ser feito diminuindo a visibilidade de postagens que recebem interações principalmente de fontes desconhecidas ou não verificadas e aumentando a visibilidade de conteúdos provenientes de fontes confiáveis e verificadas.

As plataformas podem criar sistemas de incentivos que recompensem a produção de conteúdo de alta qualidade. Por exemplo, Facebook poderia oferecer bônus monetários ou maior visibilidade para criadores de conteúdo que consistentemente produzem informação precisa e bem pesquisada. Além disso, implementar sistemas de verificação para influenciadores e líderes de opinião pode ajudar a destacar aqueles que são confiáveis.

Gravidade Digital e Key Opinion Leaders [KOLs]

Os Key Opinion Leaders [KOLs] têm uma influência significativa nas redes sociais. Aproveitar essa influência para promover informação precisa e combater a desinformação pode ser altamente eficaz.

Parcerias com KOLs para promover campanhas de conscientização sobre desinformação e pensamento crítico podem aumentar o alcance e o impacto dessas iniciativas. Por exemplo, durante a pandemia de COVID-19, influenciadores poderiam ser incentivados a compartilhar informação verificadas sobre vacinas e medidas de segurança.

Plataformas podem implementar sistemas de responsabilidade onde os KOLs são encorajados a divulgar suas fontes e justificar suas alegações. Transparência em suas comunicações pode aumentar a confiança dos seguidores e diminuir a disseminação de desinformação.

Em Resumo…

Os desafios da desinformação no mundo contemporâneo das redes sociais são complexos e multifacetados. Enfrentar esses desafios requer uma abordagem holística que inclui a verificação rigorosa de fontes, a promoção de debates saudáveis, a educação sobre falácias, o fomento à literacia digital e ajustes nos algoritmos e incentivos das plataformas. Adaptar as ferramentas do kit de detecção de bostejo de Carl Sagan a este contexto é essencial para navegar nesse ambiente dinâmico. Ao empoderar os indivíduos com essas habilidades e implementar mudanças estruturais nas plataformas, podemos criar um ambiente informativo mais confiável e racional, promovendo uma sociedade melhor informada e crítica.

Conclusão

Vivemos em um mundo onde informação é disseminada em uma velocidade sem precedentes, amplificada pelas redes sociais e plataformas digitais que dominam nossas vidas cotidianas. Embora essa interconexão tenha o potencial de nos proporcionar um acesso incomparável ao conhecimento, ela também apresenta desafios significativos na forma de desinformação, fake news e pseudociência. Como destacado por Carl Sagan em seu “kit de detecção de bostejo”, a capacidade de pensar criticamente e avaliar informação de maneira racional nunca foi tão vital.

A adaptação das ferramentas de Sagan ao contexto contemporâneo das redes sociais é essencial para enfrentarmos esses desafios. A confirmação independente dos fatos, o incentivo ao debate informado, a desconfiança de argumentos de autoridade, a consideração de múltiplas hipóteses, o desapego emocional às nossas próprias ideias, a quantificação de dados e a aplicação da Navalha de Occam formam a base de um pensamento crítico robusto. No entanto, essas ferramentas precisam ser complementadas por uma compreensão aprofundada da estrutura das redes e dos incentivos que promovem a disseminação de desinformação.

A arquitetura das plataformas digitais, moldada por algoritmos que priorizam o engajamento sobre a veracidade, cria um ambiente propício para a propagação de conteúdos sensacionalistas e polarizadores. Para mitigar esse problema, é necessário implementar mudanças estruturais que incentivem a qualidade da informação em detrimento da quantidade de interações. Ajustar os algoritmos para valorizar fontes confiáveis, promover a transparência e a responsabilidade entre os influenciadores e educar os usuários sobre literacia digital são passos cruciais para criar um ambiente informativo mais saudável.

Além disso, reconhecer o papel significativo dos Key Opinion Leaders [KOLs] e utilizar sua influência para disseminar informação precisae educar o público pode amplificar os esforços de combate à desinformação. Parcerias com KOLs para promover campanhas de conscientização e incentivar práticas de comunicação transparente e responsável são estratégias eficazes para contrapor a disseminação de conteúdos enganosos.

A educação contínua sobre falácias e pensamento crítico deve ser integrada em todos os níveis da sociedade, desde as escolas até as plataformas de mídia social. Equipar as pessoas com as habilidades necessárias para navegar criticamente no ambiente digital é fundamental para resistir às armadilhas da desinformação e promover uma sociedade mais informada e racional.

Em suma, enfrentar a desinformação em um mundo interconectado requer uma abordagem multifacetada que combina a aplicação de técnicas clássicas de pensamento crítico com adaptações específicas para o contexto digital moderno. Ao empoderar os indivíduos com ferramentas de detecção de bostejo e promover mudanças estruturais nas plataformas de mídia social, podemos criar um ambiente informativo que valorize a verdade e a racionalidade. Este esforço coletivo é essencial para garantir que a abundância de informação digital contribua para o avanço do conhecimento e o fortalecimento da democracia, em vez de sua erosão.

Um dos objetivos de quem, dentro do sistema educacional, hoje, está preocupado com o futuro da democracia, bem que poderia ser a criação de oportunidades de aprendizado para que todos os egressos do Ensino Médio [mais de 65% da população-alvo, aumentando] entendessem, na prática, as 28 ferramentas do kit anti-bostejo de Carl Sagan.

Para tal, não é preciso mudar absolutamente nada no currículo escolar.

É preciso criar oportunidades para pensar sobre a realidade ao nosso redor e entender o mundo como método, a partir de fundações que servem de base para a realidade, resultado de hipóteses verificadas e validadas na prática. Ah, sim… tem que haver professores que -também- entendam as ferramentas de Sagan e consigam criar as oportunidades de aprendizado ao redor delas. 

É não somente possível, mas é necessário [mesmo não sendo suficiente] e é urgente. Agora.

*.*.*.*.*.*.*

PS: Este blog já escreveu, ano passado, um texto bem mais denso, inclusive do ponto de vista de análise e proposições, sobre  Narrativas, Distopias, Extremismo: Soluções? … e ele está no link… tinyurl.com/572ue7zv.

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