SILVIO MEIRA

dez tendências tecnológicas nos negócios [1, 2, 3]

grandes consultorias de negócios costumam publicar, de tempos em tempos, suas idéias sobre o futuro [de alguma coisa] nos negócios. nem sempre acertam, claro; mas também é claro que há um grande alinhamento de expectativas do mercado quando qualquer uma das grandes diz estar “achando” alguma coisa, principalmente em áreas onde a evolução sempre tem cara de revolução, como é o caso de tecnologia. ainda mais quando se trata de TICs, as tecnologias de informação e comunicação.

dias atrás, o blog comentou um estudo da IBM sobre o aumento da complexidade no ambiente de negócios nesta década, com tecnologia assumindo um papel [na opinião de CEOs de todo mundo] só menos importante do que fatores intrínsecos do mercado. hoje começamos a discutir um texto da mcKinsey sobre tendências tecnológicas nos negócios  [Clouds, big data, and smart assets: Ten tech-enabled business trends to watch] que foi resumido neste link por mark schaefer e comentado, também, pelo blog do marcelão.

esta semana, participei de um debate na CNI sobre formação de técnicos e engenheiros e não houve tempo, na minha apresentação [slides neste link, na íntegra], para comentar as tendências da mcKinsey. dado todo este contexto, vamos ao que interessa mesmo: o que vê a bola cristal da mcKinsey e o que isso significa para os negócios e para as pessoas?…

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a primeira grande tendência é criação colaborativa, em rede, em larga escala; 70% dos executivos consultados pela mcKinsey reconhece que suas empresas já criam valor em comunidades da rede, de processos de atendimento a seus clientes e usuários até o desenvolvimento de produtos e inovação. talvez se possa duvidar, neste estágio do uso de redes sociais pelas empresas, do grau de coerência estratégica de tais ações dentro do negócio como um todo. mas o fato é que ações globais em rede como collaborate & innovate, da LG, onde a empresa publica, em rede, sua agenda de temas e problemas de pesquisa para interesse de potenciais colaboradores externos ao negócio [e conhecimento da competição…] já são importantes e talvez se tornem absolutamente essenciais para a competitividade das empresas nesta década. criação é –e vai ser cada vez mais- colaborativa. porque o negócio, todo negócio é, cada vez mais, em rede.

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aliás, o resumo em uma linha das três primeiras tendências globais apontadas pela mcKinsey é… “seu negócio está se tornando uma comunidade, de verdade, e isso vai ser cada vez mais verdade, de forma cada vez mais intensa”. é disso que trata a segunda tendência, acima: o negócio está em rede e as redes criam conexões para interagir. há negócios intensivos em interação que vêm experimentando desde melhoras muito significativas no atendimento [50% melhor no caso de uma empresa de energia mundial] até outros que estão usando redes sociais para realizar mudanças radicais no processo de atração e contratação de pessoas.

o c.e.s.a.r, aqui no brasil, usa twitter de forma sistemática para atração de capital humano, com um grau de sucesso consideravelmente maior do que o dos processos clássicos de head hunting.

se levarmos a sério as tendências dos negócios estarem mesmo em rede [2, acima] e de que a criação vai ser cada vez mais colaborativa [1, acima], a próxima tendência é quase uma consequência lógica das duas, no tempo:

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colaborar em escala significa que, paulatinamente, as empresas estão deixando de ser silos fechados [o “segredo, alma do negócio”] e, passando por uma instância de cadeia de valor [“não faço tudo, mas controlo”], indo rapidamente para o tempo dos negócios em rede, comunitários: em rede e comunidade, não controlo nada. provoco, articulo, realizo, sou parte –mas só parte- dos processos de coordenação; na verdade, em rede, cada um e todos são agentes independentes, em contexto, competindo e cooperando para sobreviver. no mais puro espírito de darwin, negócios em comunidade são ecologias e regidos pelas leis das ecologias. no caso, das ecologias de negócios.

e isso não vai ser um pequeno passo na história dos negócios; envolver fornecedores e clientes de forma muito ampla na rede de valor da empresa [ou por outro lado, e talvez mais importante: inserir a empresa na rede de seus fornecedores e clientes…] vai dar muito trabalho.

a razão deveria ser óbvia: “transformar o negócio em comunidade” vai afetar, e muito, as estruturas de gestão, a maioria das quais ainda baseada nas hierarquias de comando e controle que tornam a empresa um… silo. pode demorar ainda mais para acontecer em periferias como o brasil; mas, ao mesmo tempo, este é o país que tem o maior percentual de percepção [entre a população] de redes sociais e a maior percentagem [entre quem tem acesso à internet] de usuários de redes sociais em todo mundo. ou seja… o cenário, do ponto de vista das pessoas, está pronto, ou quase. para as empresas, resta o problema de criar os scripts iniciais e a coragem para tentar e, tentando, errar e aprender, em comunidade.

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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