SILVIO MEIRA

empresa “teia”? como assim? [1]

oswaldo oliveira [daqui pra frente, O2] está há tempos no negócio de redes sociais, das reais inclusive. O2 estava no peabirus desde 2006 e foi coordenador do projeto TEIA [tecnologia, empreendedorismo e inovação aplicados] em minas gerais, cujo objetivo era ser…

…uma rede de prestadores de serviços e de conhecimento que, usando ferramentas e aplicativos da Web 2.0, auxiliam empresas, escolas, associações, sindicatos, departamentos governamentais e todos os participantes das comunidades locais, a trabalharem seus projetos na internet, com o objetivo de promover a inovação nos processos econômicos, políticos e sociais.

se tudo é software e todo o software está em rede ou indo pra lá, o projeto TEIA tinha a clara intenção de ser uma rede de agentes que cooperavam para criar condições para comunidades locais, normalmente remotas e desassistidas, participarem da web 2.0 [e, diria eu, 3.0] como instituições de primeira classe.

pois bem. O2 resolveu oxigenar o ambiente de negócios do país propondo a primeira empresa totalmente em rede, totalmente distribuída do país e, seguramente, uma das primeiras do planeta. de acordo com uma classificação que fizemos aqui no blog, a empresa teia é um exemplo de competências e capacidades estratégicas em redes sociais de e para negócios, como uma tentativa de fazer uma empresa no nível mais alto de sofisticação em rede, ou seja…

nove: a empresa –ou empreendimento- é uma rede social de fato; toda a conversa [corporativa] é viral e os processos de negócio, internos e externos, são realizados em comunidades das mais diversas redes sociais, inclusive e principalmente a sua.

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antes de descrever este nível, o texto do blog avisa que isso só deve ser tentado se… "você passou por um estágio de transformação real de seu negócio em uma rede onde tudo o que pode e deve ser aberto e colaborativo o é". O2 e seus parceiros da empresa teia sabem muito do assunto e já passaram por um tanto de coisas e aprenderam muito no caminho. a seguir, a primeira parte de sua entrevista para o blog.

m.: o que é, o que faz e como funciona a empresa teia?

oswaldo oliveira: A empresa teia é uma infra estrutura completa para quem quer desenvolver um projeto em rede. Tem como missão oferecer soluções que viabilizem a evolução sustentável de quem quer articular, fazer negócios ou trabalhar em rede. Conecta pessoas, instituições e empresas que querem se integrar nos fluxos da sociedade em rede independentemente do nível de maturidade em que estão. Faz isto utilizando  ferramentas, serviços, processos, ambientes e conexões disponíveis na nuvem computacional da internet.

SM: qual foi a sua motivação para empreender este conceito?

O2: Nos últimos 10 anos, trabalhamos com projetos compartilhados e contribuídos na internet. Fomos evoluindo em conjunto com a rede e amadurecendo o entendimento de que além de compartilhada e contribuída a internet é, principalmente, distribuída. Em função disto -e no melhor estilo darwiniano -nos adaptamos. Nossa última atuação como empresa “tradicional” foi a implantação do projeto TEIA MG – Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados para a  SECTES – Secretaria de Ciência, Tecnologia, e Ensino Superior do governo do estado de Minas Gerais.

O objeto do contrato era o de criar uma rede que massificasse os conceitos da sociedade em rede como uma das estratégias para criar um ambiente favorável à inovação em Minas. Além disto, este projeto tinha que atingir a auto sustentabilidade. Os contratantes entendiam que o projeto só tem sentido, pelos próprios conceitos que tenta multiplicar, se conseguir gerar a sua própria receita independentemente de novos aportes de recursos públicos. Conseguimos atingir este objetivo com aproximadamente 18 meses de projeto (em abril de 2010). Depois de ter conseguido isto achamos que tínhamos amadurecido o suficiente para criar uma empresa que fosse 100% em rede, ou seja, totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro. 

SM: como as pessoas participam? como se remuneram?

O2: Na verdade, não é bem participar. É mais se conectar. Em geral, existem 3 tipos de interessados em torno de uma rede:

A. Os articuladores: Percebem a existência de uma rede social (pessoas interagindo por afinidade) mesmo sem estarem visíveis em alguma ferramenta de mídia social. Detectam aí uma oportunidade de acelerar seus  objetivos sejam eles quais forem: Empresariais, Educacionais, Artísticos, Políticos, etc. Querem “empreender uma rede” mas esbarram em obstáculos vários. Principalmente de conhecimento e de financiamento do empreendimento. A Empresa Teia quebra esta inércia conectando-os a redes que já existem, mostrando como começar sem colocar dinheiro, como  adquirir massa crítica daí para frente, como  achar e mobilizar pessoas para trabalhar junto e como gerar receita no empreendimento.

B. Os fornecedores: Em geral são empresas (mas podem ser pessoas e instituições também) que tem produtos e serviços que são de interesse dos membros de uma ou mais redes. Normalmente enxergam as pessoas somente como público alvo e não como comunidade. Em função disto querem desenvolver ações de comunicação (publicidade) que é o que se acostumaram a fazer no modelo broadcast da sociedade industrial. A Empresa Teia auxilia-os a perceber a comunidade e a se integrar no dia a dia dela, entendendo-a, atendendo-a e desenvolvendo-se junto ela.

C. Os trabalhadores: São pessoas de todas os tipos. De todas as origens, idades, sexo, cor e religião. Só tem uma coisa em comum: a vontade de não trabalhar em organizações tradicionais que os aprisiona pela padronização. Querem aprender coisas novas todo dia. Querem interagir com pessoas no mundo inteiro. Intuem que agora, com a internet, existem alternativas ao modelo da sociedade industrial para o seu desenvolvimento profissional e querem se integrar a isto. Querem ganhar dinheiro mas também querem ser livres. Querem liberdade sustentável! A Empresa Teia os ajuda a viabilizar esta intuição conectando-os a empreendimentos que estão sendo desenvolvidos em rede.

amanhã vamos descobrir como a empresa teia gera e captura valor, se ela se sente competindo com alguém e com quem se compara no cenário de negócios. até lá. enquanto isso, pense: você trabalharia numa empresa totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro?

 

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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