SILVIO MEIRA

numa web mais madura, capital de risco se volta para empresas

nos nove primeiros meses de 2012, o capital empreendedor empatado em novos negócios de mobilidade e web para o consumidor final [MWCF], nos EUA, caiu 42% em relação a 2011, segundo a ventureSource e wall street journal. isso interessa muito aqui no brasil porque, como mercado secundário, o que se dá lá no norte tem reflexos quase imediatos aqui. e quem cria e investe na web fixa e móvel deveria ler este post de fred wilson, um dos mais experientes investidores em atividade, pra descobrir o que e por que está rolando esta coisa toda.

wilson observa que há muita gente nos EUA investindo em MWCF nas rodadas de capital semente; o problema são as rodadas seguintes, que estruturam negócios no prazo mais longo, que não estão acontecendo na mesma velocidade, comparando o que rolou em 2010 e 2011 com 2012.

e o que mudou, na base, pra causar tamanha queda no investimento em um único ano? wilson resume a história em 3 pontos: pra começar, 1. a web está “dominada” por gigantes que sugam atenção e tempo de comunidades já formadas, que têm comportamentos estabelecidos e que demandam muita energia para qualquer mudança de hábito [até que as rotinas atuais, recém-adquiridas, não as satisfaçam mais].

o gráfico abaixo mostra só parte da história; imagine outros nomes e hábitos que eles habilitam; as porcentagens da figura, somadas a uma dúzia de outros serviços, deixam pouca margem de livre, que novos serviços inovadores podem preencher facilmente. facilmente, eu disse… e claro que seu startup e seus investidores, sua rede de negócios, tem a energia pra isso e deve, pelo menos tentar. e aprender com seus erros e depois contar pra muita gente, pros outros não errarem igual a você.

o ponto seguinte, 2. é que agora todo startup tem que aparecer com uma solução [se é que tem uma] para web, android e iOS, pelo menos. se microsoft e amazon se estabelecerem no móvel, cada nova solução terá que rolar em pelo menos cinco plataformas diferentes [sem contar salesforce, faceBook, etc]. haja conhecimento, tempo e recursos pra competir, com implicações pra todos os startups, tanto os essencialmente “móveis” que precisam escalar para a web, quanto para os da web, que precisam de interfaces na mão de cada usuário, em todo canto, o tempo todo. pra exemplificar, pense um “startup” web que ainda não acertou o passo no móvel: basta olhar pra faceBook [e avaliar o que ele já perdeu –ou deixou de ganhar- por causa disso].

apps vs web 2011 dec

fred wilson também poderia ter dito [mas não disse] que muitas categorias para negócios MWCF já se tornaram padrões de desenvolvimento, uso, evolução e modelo de negócio e não é fácil desalojar muitas delas de seus nichos [estáveis] e tampouco conquistar um lugar [estável] em nichos essencialmente instáveis [veja a figura abaixo, recente].

app loyalty

idealmente, todo mundo quer fazer [com o menor esforço possível…] alguma coisa que estaria no lugar mais alto, à direita, no quadrante I, as coisas muito usadas e de maior retenção… mas olha só o que está lá, dentro tudo o que você e eu usamos, e é quase nada.

e há um último ponto, o 3: os investidores que fazem as empresas crescerem, que investem depois de angel e seed, mudaram o foco de sua agenda para tecnologias de informação e comunicação nas empresas, depois de passarem o hiato 2009/11 apostando tudo em MWCF. se o passado recente foi de investir em móvel, na web, para o consumidor final, agora veremos um monte de investimentos para criar as plataformas que habilitem empresas, na web, móveis e sociais, ou EWMS.

e isso deveria ser óbvio. depois de uma era em que a informática à disposição dos usuários finais passou, em muito, o que às empresas têm à disposição, a demanda por soluções empresariais criou o mercado para [o capital de risco] criar negócios que habilitam empresas a atender MWCF de forma competente, com EWMS. simples assim.

e não podia ser de outra forma, pois as empresas, há tempos, estão correndo atrás do usuário, com meios às vezes bem menos sofisticados do que seu usuário médio dispõe. não que um usuário qualquer tenha nas mãos a capacidade computacional dos bancos… mas, se você for ver do que é feita a informática dos bancos…

o problema de criar novos negócios inovadores de crescimento empreendedor cujos clientes são corporações é justamente o relacionamento com as ditas cujas. se por um lado é por lá que está a especificação da maior parte dos problemas a resolver, por outro as corporações são a antítese de um startup e podem matar até o mais inovador e empreendedor deles por mera proximidade. sem exagerar [e se você lembra de star wars], pra um startup, uma grande empresa é uma death star.

bits na calcada

se você não saiu de uma grande empresa pra montar um startup que resolve um ou mais problemas delas [ou não tem um ou mais sócios que vieram daquele mundo] , se ligue. e converse com os darth vader corporativos tentando evitar as empresas que já “passaram do ponto” no ciclo definido pelo diagrama de adizes, abaixo. qualquer ponto depois de estabilidade é quase sempre inútil para quem precisa empreender na, com, ou para empresas. tente descobrir parceiros entre go-go e prime, clicando aqui pra descobrir porque. e depois não diga que a gente não  avisou.

ah, sim: neste brasil atrasado, como  aqueles startups que poderiam chegar aqui rapidamente [se tivessem muito dinheiro… mas não terão] não vão chegar nem tão cedo [exemplo? negócios MWCF com força de venda, em função de modelos de negócios multifacetados], esta é a hora de clonar coisas que estão dando certo em outros mercados mas não vão estar aqui nem tão cedo. isso pra quem não tem uma boa aposta para uma inovação real para cenário corporativo, pois esta é a hora de fazermos, aqui, par e passo com o resto do mundo. quem viver, verá.

eita: nem toda empresa é uma death star para startups, o tempo todo, de todas as formas. lembre-se que o nome de batismo de darth vader é anakin skywalker, pai de luke e leia; ele se sacrifica no episódio IV da história para salvar o filho. você e eu nunca ouvimos falar de corporações [ou bichos corporativos] que tenham feito coisa parecida para criar futuros, no passado. mas… quem sabe, no presente, não temos uma sorte danada e estas corporações do lado bom da força nos aparecem, incentivando inovação e muito empreendedorismo de classe mundial, em EWMS, logo aqui no brasil?…

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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