SILVIO MEIRA

recuperação sem empregos e porque você deveria aprender a programar

Robôs, de todos os tipos, capacidades e tamanhos estão substituindo humanos nas tarefas que costumavam empregar a maioria das pessoas. operadores de caixas, carregadores, montadores, arrumadores, motoristas, auxiliares em farmácias e hospitais [e depois… enfermeiros, médicos?]… operadores de telemarketing e atendimento… e o que mais você quiser pensar.

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este blog sugere que você veja dê uma olhada neste 60 minutes sobre o assunto [só em inglês, infelizmente], cuja transcrição está neste link [não lê inglês? tente esta tradução via google translate, um “robô”  de tradução de texto]. você não precisa ser um literato para descobrir que “robôs tradutores” ainda estão abaixo do razoável para a tarefa. mas dá pra ter uma ideia razoável, lendo a “tradução”.

o vídeo de 60 minutes tem exemplos interessantes de robôs muito simples –e baratos- realizando trabalhos que só humanos faziam até bem pouco tempo. vale a pena ver. até porque há chances muito altas, seja lá qual for seu trabalho atual, de que você vai trabalhar em conjunto com robôs muito em breve. melhor começar a entender esta nova galera agora, pra não se assustar [muito] depois. cada uma das “coisas” laranjas na figura é um robô de movimentação de estantes de produtos em uma central de distribuição; cada duas delas substituem tres empregados, por um custo muito, muito menor. e sem reclamações trabalhistas…

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os economistas estão observando uma recuperação industrial, na europa e EUA, que não “cria” trabalho: o investimento em produção cresceu 30% de 2008 pra cá, sem grande impacto na geração de emprego. ao contrário: as 100 maiores regiões industriais dos EUA perderam 1 milhão de postos de trabalho de 2008 a 2012. e o gráfico abaixo mostra o desaparecimento de 6 milhões de empregos desde 1990. MANEMP [manufacturing employment, emprego industrial] é a curva marrom, no eixo vertical esquerdo. você pode ver detalhes neste link.

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desde a recessão, a indústria está redescobrindo como produzir em países onde trabalho é muito caro, como os EUA e holanda, e de onde ele saiu no passado, por causa disso, sem contratar muita gente –que, hoje, está ainda mais cara. o trabalho chinês encareceu e ficará mais caro nos próximos anos. somando isso ao déficit da balança comercial dos antigos países industriais e à evolução dos robôs industriais nos últimos 10/15 anos, pode-se ver resultados como a transferência da fábrica de barbeadores da philips [a maior do mundo] de volta à holanda. toda robotizada. é a volta da produção [abaixo], mas não dos empregos… que se foram para sempre.

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e você tem todo o direito de perguntar: se “todos” os empregos estão sumindo, nós vamos trabalhar em que? não que necessariamente tenhamos que trabalhar, mas precisamos –talvez?- fazer algo de útil e, daí, receber uma remuneração pra pagar nossas contas. certo, eu também acredito nisso. acontece que o contexto ao nosso redor está sempre mudando e, nos últimos anos, bem mais rapidamente do que era o caso lá perto da segunda guerra mundial. acho que programar é preciso, que é preciso entender que as novas coisas ao redor são plataformas programáveis e que quem não programar será, quase certamente, programado. ou descartado, como efeito de um programa que foi escrito por alguém e está rodando em alguma das coisas ao redor…

isso não significa que você deve deixar de estudar e/ou fazer o que faz e mudar, de mala e cuia, para informática e se tornar programador ou engenheiro de software. certamente que não. mas quer dizer que, seja lá o que você faz agora, aprenda a programar. isso vai ser absolutamente essencial ao desempenho de suas tarefas em um futuro tão próximo que eu e você nem sabemos, mas que já chegou em bem mais lugares do que seria confortável pra quem ainda não sabe programar.

e programar é trivial: visite programar é preciso [um texto aqui deste blog] pra entender os porquês, vá atrás de um ambiente de programação bem simples como scratch e comece, agora. antes que seja tarde.

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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