SILVIO MEIRA

redes sociais integradas? todos nós na mesma rede? e a privacidade?

ainda da conversa com gariel dudziak, da qual já publicamos uma parte sobre a transição da internet “quando possível” para “comigo o tempo todo”, outra sobre cloud computing se tornando o padrão de informatização dos negócios e mais uma sobre o uso da internet nas eleições de 2010… as perguntas de hoje são, pela ordem: 

Qual sua visão sobre os próximos passos das mídias e redes sociais?  Teremos uma nova menina dos olhos a la twitter ou a tendência é a integração das mais diversas plataformas?

meu chute é…

Difícil dizer. A única coisa certa é que bem mais de um alguém, noite a dentro, mundo afora, está desenhando agora alguma coisa que nunca soubemos que precisávamos mas que, quando tivermos, seremos usuários intensos e fiéis por muito tempo, até que apareça outra coisa, melhor sob pelo menos algum conjunto de aspectos que seja importante pra nós.

A fila anda, o patamar e a evolução tecnológica também. Claro que ainda há muita coisa a ser inventada; mas seria bom que resolvêssemos alguns problemas que já temos agora antes de seguir em frente, como o de uma identidade única, por exemplo: um só nome e senha, e acesso a tudo o que estivesse ao redor e a que tivéssemos direito, de sistemas de informação a catracas de ônibus e cinemas e a porta da nossa casa.

Tudo isso vai estar na web dentro de pouco tempo, mas ainda não há nenhuma solução "integrada", hoje, que me permita "abrir" da minha conta do banco até a porta da minha casa e da sala de aula na universidade… mas vai haver, é questão de tempo. E há muita gente trabalhando nisso, inclusive grupos com quem eu trabalho no momento.

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dando sequência a conversa… A tendência das mídias sociais, em sua opinião, é restringir, como fez o twitter ao filtrar informações somente dos "seguidos", ou se expandir e abarcar toda a comunidade online?

Bom, nem todo mundo quer estar em todas as comunidades, muito menos fazer parte de cenas com as quais tem pouca ou nenhuma empatia. Fosse tudo aberto e conectado, ampla e radicalmente, já pensou o tamanho do ruído em mandarim, pra mim que não entendo? Ou em madurês, uma das línguas faladas em Java?…

Acho que as ferramentas sociais servirão, sempre, para articularmos nossos interesses e que haverá, sempre, abertura para um pouco de caos; no twitter, quando alguém menciona @srlm (que sou eu), seja lá o que disse, queira eu ou não, a pessoa aparece no meu console… e acho isso legal, inclusive porque fico sabendo de coisas que não saberia de outra forma.

O preço a pagar é administrar mais ruído, mas estamos todos ficando cada vez melhores nisso. Não há excesso de informação ou conexão, por esta ótica; quem reclama disso é porque ainda não aprendeu a usar e programar os filtros…

e estas duas perguntas e respostas tem a ver muita coisa a ver com o próximo questionamento de gabriel…

Ainda sobre esse aspecto, como você vê a questão da privacidade e segurança de informação atualmente? Temos muitos artigos e estudiosos se debruçando sobre a questão da excessiva exposição dos usuários no ambiente da internet

eu acho que este problema não é trivial de modo algum:

Um grande número de pessoas está contente em entregar sua privacidade às câmeras de todo tipo e seus dados a sistemas que não controla e que talvez ninguém controle, para ter -por um lado- uma maior ilusão de segurança e -por outro- acesso a serviços de duvidoso valor ou qualidade. A prática deveria ser não entregar nenhum bit a mais sobre você além dos que são necessários e suficientes para que seu provedor de serviço dê conta do que deveria estar fazendo para você.

Passou desta barreira, é invasão de provacidade pura e simples. Por que, mesmo, que as câmeras do elevador têm que transmitir o elevador para a portaria, ao invés de gravar tudo o que aconteceu e, se rolou algo grave, analisar as imagens? Eu senti muito quando o elevador do meu prédio se tornou parte da programação do canal 25 da minha TV.

Quase a mesma coisa vale para sistemas de informação: entregamos dados como senhas e números e códigos de segurança de cartões de crédito a sites sobre os quais não temos, na prática, razões pra acreditar que cuidarão muito bem desta parte de nossa privacidade. O resultado é que se estima em cerca de US$1 trilhão de dólares em crimes virtuais por ano, no mundo, boa parte disso derivado de roubo de identidade. É muito.

Perto disso, se você está discutindo sua vida amorosa numa rede social pode parecer menos sério. Mas não; é tão sério quanto ou mais.

Tudo o que você "disser" para a rede é para sempre. Lembra de uma personalidade da TV que foi filmada aos beijos e abraços (e mutio mais) na praia… e que conseguiu "retirar" o vídeo da rede? O vídeo continua por aí, vivinho da silva, e assim será per omnia secula seculorum…

Daí, é bom cada um e cada qual, sem se tornar paranóico, pensar no que está fazendo, na rede ou para a rede, antes de dar "enter". Isso feito, é como abrir a caixa de pandora da sua vida pessoal…

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a gente encerra a conversa e, depois, fala de outra coisa. qualquer coisa menos de copa, talvez…

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Silvio Meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do PortoDigital.org

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