por Silvio Meira

as apps dos ricos…

a

…e as nossas: um grupo de americanos que ganha, em média, US$250K por ano [pense em perto de R$40K por mes…] respondeu a uma pesquisa sobre seus hábitos de uso de apps [aplicações que podem ser carregadas, normalmente a partir de um mercado online] nos seus smartphones e a resposta está nos dois gráficos abaixo.

no primeiro se mostra os downloads: que apps foram parar no smartphone dos ricos? previsão de tempo e notícias estão no topo da lista, seguidos por jogos, viagens e negócios e finanças. faz todo sentido: ricos tendem a viajar muito [travel + weather] e estar preocupados com notícias, negócios e dinheiro. se não fosse assim, talvez não fossem ricos.

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o histograma acima mostra o que é carregado nos smartphones de quem ganha muito; o próximo mostra o que, na prática, eles usam muito:

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os ricos se preocupam mesmo com a previsão do tempo, notícias, finanças e, logo depois, com redes sociais e jogos.

agora veja a tabela abaixo, de junho passado [com dados de abril; note que os dados acima são de setembro], mostrando o número total de usuários, nos EUA [mesmo espaço da pesquisa anterior] por tipo de aplicação:

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conclusão?… tirante o fato de que os mortais comuns parecem ter uma maior tendência à socialização, o uso que os ricos fazem das aplicações nos seus smartphones é muito parecido. em número de usuários únicos, as apps de previsão do tempo passaram, no total, as redes sociais.

a combinação matadora [a verdadeira “killer app”] parece combinar mapas, sobre os quais se adiciona uma camada de previsão de tempo, uma de notícias e finanças e a partir da qual se pode lidar direto com seu banco. tudo isso geolocalizado e, claro, funcionando como uma rede social.

por outro lado… parece que uma app que “resolve tudo” não resolve nada e ninguém quer usar. melhor assim, talvez, segmentado por app

mas bem que, lá atrás, no software como serviço que sustenta, no fundo, o funcionamento da app que usamos cá na frente, podia estar integrado. talvez aí sim, esteja o espírito do verdadeiro killer app, tanto para os que ganham muito quanto para os que não ganham tanto assim…

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

16 comentário

  • falta na pesquisa um dado fundamental: tempo. as aplicações podem ser as mesmas, mas será que as pessoas ricas gastam o mesmo tempo em redes sociais do que “o resto” da população? creio que não.

  • falta na pesquisa um dado fundamental: tempo. as aplicações podem ser as mesmas, mas será que as pessoas ricas gastam o mesmo tempo em redes sociais do que “o resto” da população? creio que não.

  • Se a gente fosse considerar o tempo, talvez tivessemos que considerar, também, a velocidade da conexão dos usuários. usuários que tem uma conexão mais lenta tendem a passar mais tempo conectados do que usuários com uma conexão mais rápida daí a pesquisa não ficaria tão verdadeira quanto a gnt acha.

  • Se a gente fosse considerar o tempo, talvez tivessemos que considerar, também, a velocidade da conexão dos usuários. usuários que tem uma conexão mais lenta tendem a passar mais tempo conectados do que usuários com uma conexão mais rápida daí a pesquisa não ficaria tão verdadeira quanto a gnt acha.

  • Esses números só existem porque a amostra é americana e, como tal, não precisa utilizar (ou TER que utilizar) as operadoras de telefonia brasileiras.
    A tecnologia é a mesma, já a política, comercialização, oligopólios, anatel….
    Será que os ricos se submeteriam a pagar as tarifas extratosféricas impostas no Brasil?
    Duvido!

    http://twitter.com/giancarlomoraes

  • Esses números só existem porque a amostra é americana e, como tal, não precisa utilizar (ou TER que utilizar) as operadoras de telefonia brasileiras.
    A tecnologia é a mesma, já a política, comercialização, oligopólios, anatel….
    Será que os ricos se submeteriam a pagar as tarifas extratosféricas impostas no Brasil?
    Duvido!

    http://twitter.com/giancarlomoraes

  • Caro Silvio,
    Li o seu perfil no Valor Econômico de 27/09/2010 e me interessou a parte relativa à redes sociais.
    Gostaríamos de uma dica de como desenvolver uma rede social que informe as pessoas sobre o potencial desmatamento aqui no bairro.
    Moramos em Cotia, grande São Paulo, do lado da Cooperativa Agrícola de Cotia, que faliu. É uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados, ainda Mata Atlântica. Existem tucanos, bugios; ou seja, fauna e flora ainda intacta.
    Infelizmente os poderes públicos de Cotia e Embu não são muito sensíveis à esse tema portanto, nos juntamos com outras associações de bairro para proteger esse verde.
    Estamos preparando uma minuta para entrarmos no Ministério Público porém, sabemos que a mobilização, pode dar resultados mais fortes.
    Vc poderia nos ajudar nessa batalha?
    Grato
    Flávio – 11 9145.6517 – fs-frascino@uol. com.br

  • Caro Silvio,
    Li o seu perfil no Valor Econômico de 27/09/2010 e me interessou a parte relativa à redes sociais.
    Gostaríamos de uma dica de como desenvolver uma rede social que informe as pessoas sobre o potencial desmatamento aqui no bairro.
    Moramos em Cotia, grande São Paulo, do lado da Cooperativa Agrícola de Cotia, que faliu. É uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados, ainda Mata Atlântica. Existem tucanos, bugios; ou seja, fauna e flora ainda intacta.
    Infelizmente os poderes públicos de Cotia e Embu não são muito sensíveis à esse tema portanto, nos juntamos com outras associações de bairro para proteger esse verde.
    Estamos preparando uma minuta para entrarmos no Ministério Público porém, sabemos que a mobilização, pode dar resultados mais fortes.
    Vc poderia nos ajudar nessa batalha?
    Grato
    Flávio – 11 9145.6517 – fs-frascino@uol. com.br

  • Sílvio

    Quando você diz:

    …uma app que “resolve tudo” não resolve nada e ninguém quer usar. melhor assim, talvez, segmentado por app…


    O problema é sem dúvida usabilidade… estamos engessados pelos modelos mentais criados com “a era do mouse e da janela” e acabamos por criar sistemas com alto grau de complexidade que lota nossa memória e impede o uso em situações de multiplas tarefas simultâneas [vc já falou sobre este tema antes]

    Nos dias de hoje quem faz apenas uma coisa de cada vez?? Já que nossa vida (multitarefa) não é compatível com o software, nós o descartamos (melhor que descartar nossa vida 😛 )

    Porém as empresas e desenvolvedores parecem simplesmente não enxergar os investimentos em usabilidade como investimentos vitais para a sobrevivência de um software…

    Os profissionais de computação se recusam a estudar o tema (pra eles isso é coisa de designer) as universidades dão pouca prioridade (uma disciplina e pronto!!!)… Ouço sem sempre frases do tipo:

    “A GUI não me interessa”
    “Chama o designer pra fazer”

    Isso me lembra orgão público que fica passando a responsabilidade (que deveria ser partilhada) a diante e quem sofre é o usuário final

    Será que essa pesquisa analisou a usabilidade desses apps???

    Tenho suspeitas de que esses que estão no topo devem ser os mais usáveis de cada categoria…

    Software tem que ser prazeroso, pois será parte indivisível da vida moderna

    Abraço o/

  • Sílvio

    Quando você diz:

    …uma app que “resolve tudo” não resolve nada e ninguém quer usar. melhor assim, talvez, segmentado por app…


    O problema é sem dúvida usabilidade… estamos engessados pelos modelos mentais criados com “a era do mouse e da janela” e acabamos por criar sistemas com alto grau de complexidade que lota nossa memória e impede o uso em situações de multiplas tarefas simultâneas [vc já falou sobre este tema antes]

    Nos dias de hoje quem faz apenas uma coisa de cada vez?? Já que nossa vida (multitarefa) não é compatível com o software, nós o descartamos (melhor que descartar nossa vida 😛 )

    Porém as empresas e desenvolvedores parecem simplesmente não enxergar os investimentos em usabilidade como investimentos vitais para a sobrevivência de um software…

    Os profissionais de computação se recusam a estudar o tema (pra eles isso é coisa de designer) as universidades dão pouca prioridade (uma disciplina e pronto!!!)… Ouço sem sempre frases do tipo:

    “A GUI não me interessa”
    “Chama o designer pra fazer”

    Isso me lembra orgão público que fica passando a responsabilidade (que deveria ser partilhada) a diante e quem sofre é o usuário final

    Será que essa pesquisa analisou a usabilidade desses apps???

    Tenho suspeitas de que esses que estão no topo devem ser os mais usáveis de cada categoria…

    Software tem que ser prazeroso, pois será parte indivisível da vida moderna

    Abraço o/

  • Acabo de submeter um projeto na FINEP exatamente nessa linha. Independente da saída da subvenção vou tentar fazer o projeto até o final do próximo ano. Como você mesmo disse em um post anterior, o mundo todo está pensando a mesma coisa, a diferença é quem implementa primeiro.

  • Acabo de submeter um projeto na FINEP exatamente nessa linha. Independente da saída da subvenção vou tentar fazer o projeto até o final do próximo ano. Como você mesmo disse em um post anterior, o mundo todo está pensando a mesma coisa, a diferença é quem implementa primeiro.

por Silvio Meira

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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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