por Silvio Meira

brasil lidera restrições ao uso de redes sociais no trabalho

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o brasil aparece bem na foto da internet: sempre estamos no topo [ou perto] em horas de uso, apesar de tal “título” ser questionável: o brasileiro parece passar mais tempo na rede porque precisa do que porque gosta, pois aqui a banda larga é estreita. ainda assim, estamos muito bem em todas as redes sociais e somos a terceira língua no twitter, por exemplo, logo atrás de inglês e japonês. gostamos de gadgets e parece que não temos medo de novidades.

imageagora [infelizmente?] aparecemos também em primeiro lugar em uma outra competição, a dos países onde mais se controla o uso de redes sociais no ambiente de trabalho.

estudo da manPower com 34 mil empregados em 35 países mostra que 55% das empresas brasileiras têm alguma política para restringir o uso de redes sociais pelos seus colaboradores, contra uma média de 20% no mundo. na argentina, peru, japão e estados unidos, este número é perto de 25%; na europa, a média é 11%, sendo que na alemanha e suíça só 6% das empresas têm restrições ao uso de mídias sociais, número que cai para ínfimos 2% na frança.

pedro guimarães, da manPower brasil, acha que as políticas para mídias sociais das empresas…  “ainda estão focadas no gerenciamento de riscos, e não na maneira como as organizações podem aproveitar essas ferramentas em benefício dos empregados e do negócio". faz todo sentido. e o blog fez mais duas perguntas a pedro, respondidas com exclusividade:

SM: que políticas você acha que a empresa deveria usar como incentivo [ao invés de restrição] ao uso de redes sociais para aumento de performance dos colaboradores nos negócios?

PG: Desafie os colaboradores a inovar, estimulando-os a desenvolver maneiras de usar essas ferramentas para melhorar seu trabalho. Incentive o compartilhamento das boas práticas, como por exemplo, o uso das mídias sociais para gerar acessos ou atender melhor aos consumidores ou clientes.

Fique de olho nos especialistas dentro da empresa, e estimule-os a demonstrar o uso de mídias sociais para os colegas. Preste atenção às ideias que surgem dessa interação.

Deixe que os colaboradores assumam a tarefa. A base de qualquer rede social saudável é o comprometimento dos usuários. Estimule os empregados a ajudar no desenvolvimento e implantação da rede, promovendo a confiança nos objetivos instituídos no fim do processo.

SM: será que, dentro dos ambientes corporativos brasileiros, com tamanha restrição ao uso de redes sociais abertas, não seria o caso de se estimular redes sociais internas, corporativas, como mecanimo de gestão de conhecimento e articulação do capital humano?…

PG: Estabelecer políticas quer dizer dar a tenção à ferramenta objetivando aproveitar o que tem de melhor a oferecer. Ao contrário de dar as costas e fechar a porta. O estímulo ao uso das redes sociais traz ganhos significativos para o ambiente corporativo, quando utilizadas sob políticas alinhadas com os objetivos da empresa. Seguem algumas das atividades que claramente se beneficiam com o uso das redes sociais num ambiente corporativo:

Produtividade: Um bom exemplo de produtividade é o atendimento ao cliente utilizando o Twitter. Uma pesquisa feita pela empresa de relações públicas Burson-Masteller indica que mais da metade das Fortune 100 tem contas no Twitter para atendimento ao público.

Colaboração: O mundo do trabalho já teve uma transformação bastante significativa com a necessidade da colaboração e pelas tecnologias que promovem teamwork. De acordo com uma pesquisa feita em 2009 pela Palo Alto Networks, 91% das empresas tinham algum tipo de ferramenta de workgroup. O uso de aplicações de virtual-meetings e colaboração só tendem a crescer à medida que a necessidade de trabalho presencial diminui.

Gestão do conhecimento: Muitas companhias tem tentado, há muito, desenvolver formas de capturar de alguma forma o conhecimento dos seus empregados. Com o advento das mídias sociais, esse esforço poderá tornar-se realidade com a utilização de blogs e sites de relacionamento de "grupos de conhecimentos" específicos.

Inovação: Companhias que veem além dos esforços seus grupos internos de pesquisa, tem oportunidade de abrir novas fronteiras de relacionamento com o mundo exterior, conectando seus melhores recursos com comunidades do conhecimento externas, tais como clientes, acadêmicos, pesquisadores, os quai seriam difícil de encontrar de uma forma convencional.

Envolvimento dos empregados: Um rede interna de comunicação com os empregados poderá ser uma poderosa ferramenta de endomarketing, assim como poderá promover o relacionamento e a aproximação entre os grupos, trazendo-os cada vez mais como "parte" da empresa.

Seleção: Redes sociais, tais como o Linkedin e Plaxo, já são uma realidade na seleção de pessoas, em especial de Profissionais. De acordo com um estudo da Deloitte, 23% das empresas já utilizam as redes como um instrumento de contratação. Importante ressaltar que tanto empresas como candidatos deverão ter cuidado extra, certficando-se da reputação da outra parte no processo seletivo.

falou e disse. e a pesquisa referida neste texto está neste link. resta saber o que acham os emrpegadores. um dos que eu ouvi recentemente me dizia que “…deixar usar redes sociais no horário de trabalho… faz a produtividade cai a zero”. será mesmo? e você, que trabalhar –e usa ou não usa- acha o que?

 

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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