por Silvio Meira

células 2.0: de pele a tronco, sem vírus

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pela primeira vez na história, um time de cientistas conseguir reprogramar células de pele [de ratos] para células similares a células tronco, sem utilizar vírus no processo. o feito se deve a uma equipe internacional liderada por andras nagy [canadá] e keisuke kaji [uk], reportado na revista nature sexta passada.

o método clássico de se conseguir células tronco para estudos e potenciais tratamentos é a partir de embriões descartados, o que levou a debates muito intensos em vários países. no brasil, o embate entre as alas pró e contra o uso de células tronco embrionárias chegou ao supremo tribunal federal, que decidiu a favor de seu uso no país.

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a descoberta de nagy e kaji é parte de um longo processo para se chegar a reprogramação completa de células. um corpo humano adulto tem centenas de tipos de células especializadas, todas derivadas das células tronco que existem no ponto de partida do processo de criação de um ser vivo. quando se torna, por alguma razão, necessário repor alguma parte de um ser vivo, a única alternativa prática, até agora, é o transplante. a esperança, no muito longo prazo, é que o domínio da tecnologia de programação celular [ou de engenharia genética ou biológica] possibilite tipos de tratamento [e modificações] até hoje impensadas.

image a principal evolução do método de nagy e kaji sobre o trabalho de shinya yamanaka, de novembro de 2007, é que yamanaka usava um vírus para inserir características no dna das células especializadas, tornando-as induced pluripotent stem (iPS) cells, ou células tronco induzidas e pluripotentes. o problema do método de yamanaka é que o vetor viral utilizado para injetar código nas células de partida pode se combinar de forma não previsível com o dna hospedeiro, o que é evitado por naky e kaji usando um trecho [ou cassette] de dna.

o time de nagy, depois do sucesso com ratos, está tentando o mesmo efeito em gatos e cães e não há, no momento, previsão de quando a técnica poderá ser aplicada em humanos. mas é só uma questão de tempo. vêm aí as células 2.0, agora programáveis e, possivelmente, com bugs…

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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