por Silvio Meira

enfim, sós. no táxi…

e

…sem motorista. algo me diz que estamos começando a viver o que é apenas o comecinho de uma megamudança nos carros e no trânsito, vinda de tudo o quanto é lado. observe os sinais, e não apenas os de trânsito.

os carros têm que mudar radicalmente para continuarem fazendo sentido, principalmente nas cidades, como mostra esta conversa de um ex-diretor de pesquisa da GM. e nós temos que mudar –talvez ainda mais- a forma como vemos e usamos os carros, talvez fazendo com que eles deixem de ser objetos de uso pessoal e passem a ser compartilhados e, quem sabe, nos acostumando com a ideia de que não, não somos nós que dirigimos os carros. vai haver muita discussão sobre isso, até chegarmos ao ponto de decidir [na constituição?…] se temos ou não o direito de dirigirmos, nós próprios, "nossos" carros.

TrafficJamCartoon

mas esqueça isso por enquanto e veja o vídeo abaixo, do "primeiro táxi sem motorista de berlim" e que não é, de jeito nenhum, o único carro sem motorista sendo testado no mundo. tudo bem que não há [pelo menos no vídeo] nenhum carro competindo com nosso herói pelo espaço e mão na rua. mas há de se convir que ele se dá muito bem mesmo assim, levando em conta que a coisa toda é autônoma, pelo visto completamente autônoma, ou seja, capaz de encontrar rotas e se guiar em ruas normais, sem sinalização especial e se comportar dentro das leis do trânsito.

 

segundo a equipe do projeto… "Cars that use sensors to recognise other vehicles, pedestrians and bikes will in future drive more safely than people who lose concentration and get tired…" os carros que usarem sensores para reconhecer outros veículos, pedestres e bicicletas irão [se] dirigir de forma mais segura do que os motoristas o fazem, porque não vão se cansar ou perder a concentração. ok, não leve isso muito a sério, pelo menos por enquanto. hoje, o treco não tem a menor chance de sobreviver no trânsito de recife, onde tudo é muito mais complicado do que são paulo e [por tudo que sei] só está em vigor um subconjunto muito restrito do código nacional de trânsito.

mas pense nisso daqui a, digamos, 15 anos. em 2025… o que você vê neste táxi será muito mais sofisticado [e complexo] e capaz, provavelmente, de desenrolar as ruas das grandes cidades até melhor do que muito motorista profissional, sem nenhum stress. aliás, como 61% dos motoristas [nos EUA] fala ao celular enquanto dirige e 27% consegue mandar SMS e dirigir ao mesmo tempo… até causar algum acidente, quer apostar como boa parte desta galera gostaria muito de um TX destes? ou mesmo de uma viatura destas, "privada" se pudesse pagar por uma? até porque seria muito melhor do que –literalmente- forçar o cérebro do motorista a prestar atenção integral no carro e suas condições

nem tudo, óbvio, são rosas: a informática dos carros [veja neste link] tem o mesmo grau de segurança das urnas eletrônicas brasileiras, o que talvez seja um aviso pra não se confiar muito em complicações como o tal táxi autônomo até que suas funcionalidades e segurança [em condições reais de uso] sejam atestadas por alguma instituição verdadeiramente independente.

isso, mais cedo ou mais tarde, vai acabar acontecendo, pelo menos com os carros, uma indústria que já se acostumou a ser escrutinada ad nauseam. aí, é só pegar o "pad" da vez, chamar seu táxi e sair por aí… enfim, sós.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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