por Silvio Meira

há 50 anos: RAMAC 305

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old-computer-picture-ibm-305-ramac-1-280pixel.jpgnum 25 de novembro como hoje, mas exatamente cinqüenta anos atrás, the times publicou um anúncio, para a época, fantástico: a demonstração em uma feira de um novo sistema de processamento de dados, capaz de armazenar e localizar, simultaneamente, informação correspondente a dez milhões de caracteres.

segundo a propaganda da época, "basta fazer uma pergunta e o sistema responde na hora". o texto também dizia que a máquina tinha a capacidade de transmitir um registro [de um "cartão perfurado"] entre a matriz e uma filial "em alguns segundos", usando telégrafo, rádio ou linha telefônica.

coisa de louco. acima, uma foto do IBM ramac 305, primeiro computador a ter um disco rígido, a máquina da propaganda do times, que pesava nada menos que uma tonelada, sendo embarcada em um avião de transporte.

em computação, cinqüenta anos são muito tempo. contando os últimos pouco mais de quarenta, de 1965 pra cá, ray kurzweil chama a atenção para o fato de que os processadores que movem os celulares topo de linha, hoje, são um milhão de vezes mais baratos, mil vezes mais poderosos e cem mil vezes menores do que um computador de grande porte [único, por sinal] que existia em uma grande instituição de pesquisa americana como o MIT. isso dá um aumento de capacidade de um bilhão de vezes, a preço constante, no período.

acontece que a capacidade [de processamento, armazenamento e transmissão de informação] se expande, hoje, mais rapidamente do que no último meio século, e dá pra prever outro aumento de um bilhão de vezes em performance computacional, pelo mesmo preço, dentro dos próximos 25 anos.

agora imagine: seu celular, em duas décadas e meia, um bilhão de vezes mais potente do que hoje… e, se não cem mil vezes menor, talvez mil, dez mil vezes menor. de repente -e se, daqui pra lá, o problema das fontes de energia fosse resolvido- dava pra botar um destes numa lente de contato. ou dentro do olho. enquanto a gente não chega a este ponto, admire-se com a foto abaixo, recente, de bill worthington segurando um dos cinqüenta discos individuais que formava o "disco" do ramac 305. um destes "pratos" não dava pra armazenar, por acaso, a página que você está lendo agora.

billworthington-ramac-platter.jpg

outros vinte e quatro dias especiais para a história da informática [na prática] estão listados em um dos blogs do times online, neste link.

para saber a quantas anda a capacidade de processamento dos quinhentos maiores computadores do mundo, dê uma sacada neste link e neste outro. a máquina mais rápida do mundo, um dos dois únicos sistemas a superar a astronômica performance de um quatrilhão de operações por segundo, é um IBM, que fica no los alamos national laboratory do departamento de energia [DoE] do governo dos estados unidos. aliás, sete das dez maiores máquinas do planeta estão a serviço do DoE…

apenas duas das 500 máquinas mais potentes [306a. e 363a] estão no brasil. a primeira [um DELL] está no núcleo de computação da UFRJ e a outra na PGS, petroleum geo-services, provavelmente a máquina por trás dos cálculos que descobriram o pré-sal. só por acaso, também se trata de um IBM, com quase três mill processadores.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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