por Silvio Meira

informática: nas nuvens? quando?

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continuando uma conversa que começamos no texto passado, gabriel dudziak me perguntou… Cloud computing já tem tudo para virar regra e deixar de ser exceção e tecnologia opcional?…

cloud computing logical diabram

primeiro, pra quem não sabe o que vem a ser cloud computing, uma definição simples é a de infraestrutura de computação, comunicação e controle servida a partir da rede, de forma compartilhada e escalável, juntamente com o software básico [sistemas operacionais, bancos de dados, servidores web…], provida sob demanda e bilhetada como “utility”: você paga o que você usa. ou seja, cloud computing é uma forma de prover informática como se fosse eletricidade, ou informaticidade, coisa que o blog já discutiu antes, falando da instalação de data centers cada vez maiores aqui mesmo no brasil:

os computadores e seu uso nos negócios foram inovações radicais do século XX, mudando o mundo e criando possibilidades que, processando dados à mão, eram impensáveis. mas toda inovação é incompleta, imperfeita e impermanente, e sempre chega, de novo, a hora de inovar. não que informática tenha se tornado commodity e qualquer um, em qualquer lugar, possa provê-la. mas, lá atrás, energia se tornou eletricidade, disponível na tomada, e não queremos saber como nos chega. usamos, pagamos e pronto.

da mesma forma, processamento de informação vira informaticidade: interfaces especificadas e entendidas, escondendo funções e procedimentos que queremos, sim, saber o que fazem. suas propriedades são mais complexas do que os fluxos de corrente [da “energia elétrica”] que produzem calor, luz e movimento.  mas, uma vez a par dos significados por trás das interfaces e tendo acesso remoto, confiável, de alta performance e barato, não precisamos, para usar tal informaticidade, de departamentos de tecnologia do lado de cá da rede.

e isso é uma boa notícia para todos. primeiro, para o pessoal “de tecnologia”, que vai trabalhar onde os problemas “tecnológicos” estão, e onde é mais interessante e divertido estar: lugares como amazon AWS[armazenamento online], netvibes.com [ecologia de informação] e salesforce.com [cadeia de valor de processos de automação de negócios]. todos são exemplos de informaticidade, atrás do conector, sem que o usuário pense em segurança, performance, updates, backup… problemas lá do pessoal “de tecnologia”.

em cima dessa base de informaticidade, as empresas [e pessoas] escrevem –ou vão escrever- e vão rodar as aplicações que implementam seus processos de negócio. mas e a pergunta de gabriel… Cloud computing já tem tudo para virar regra e deixar de ser exceção e tecnologia opcional?

minha resposta é…

Mais do que tecnológica, esta é uma questão cultural. A tecnologia vem sendo desenvolvida há muito tempo; o que hoje é "cloud" já foi só SaaS e, antes, "grid". O mercado e as empresas de informática são muito ricas em buzzwords, estas novas palavras que aparecem de repente como se fossem a coisa mais natural do mundo.

Mas digamos que cloud computing é algo que deveria ser absolutamente a norma para quem está muito bem conectado à nuvem da internet, a preços baixos e com várias alternativas de qualidade… mas que não é nada normal para um supermercado em Taperoá, no interior da Paraíba, porque lá a rede é só uma, o preço não é tão bom como deveria ser… e aí o carinha do caixa não pode correr o risco de ficar duas, três horas fora do ar no dia de feira.

A oferta de cloud computing vem melhorando muito nos últimos anos e deve se tornar o padrão e não a exceção à medida em que a infraestrutura de rede funcione como a eletricidade: "nearly always on", com um apagão de maior ou menor porte bem espalhados no tempo, a ponto de só os mais significativos virarem notícia. Estamos chegando lá, e rápido.

No C.E.S.A.R, estamos desenvolvendo serviços na e para a nuvem, o que não significa apenas que estas coisas vão para lugares padrão mas para nuvens privadas de empresas, o que não só é possível ser feito mas resolve um monte de problemas de forma interessante, como o de escalabilidade de servidores…

pra quem quiser ver um pouco mais sobre o assunto, há uma apresentação minha num seminário para alunos de graduação e pósgraduação em informática neste link. divirtam-se…

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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