palestra no SXSW semana passada, seguida de artigos na SMT, forbes e outros, chama atenção para uma nova e verdadeiramente radical forma de marketing direto: a que tem por base o código genético. se nós andamos preocupados com o rastro [ou pegada] informacional que deixamos na web, o que rola no mundo real é ainda mais preocupante: deixamos um milhão de células por aí, por dia, cada uma delas capaz de contar nossa história nos mínimos detalhes. paul saarinen [da yamamoto] e scott fahrenkrug [da u. of minnesota] fizeram uma pergunta trivial, mas de implicações nem tanto, no SXSW: e se agências [e marcas…] resolvessem fazer marketing [ou "conversar" conosco] em termos da informação disponível no nosso DNA?

o DNA diz que alergias podemos ter, doenças mas prováveis; decodificar o DNA fornece uma base de dados de cerca de um milhão de pontos sobre o dono. não sobre o que ele faz, mas sobre o que é. no lado "fazer", faceBook informa que sabe, com 33% de acerto, se você sairá de seu relacionamento atual ou não. isso é muito pouco: empresas de avaliação de crédito sabem se e quando você vai se separar com 98% de certeza. a trilha de dados do "fazendo" é usada, há muito, para marketing "comportamental", desde [o elementar] saber de onde estamos vindo quando chegamos a uma página na web, até o que compramos online antes, para sugerir o que comprar agora, entre muitas e muitas coisas que se sabe sobre nossa vida informacional [mesmo que não saibamos disso, nem como deixamos o rastro].

para que seria usado o rastro de dados do "vivendo", a informação contida no código da sua [e da minha] vida? talvez [ou certamente?] junto com os dados do "fazendo"? depende de quem está no controle. se somos nós, podemos usar nossos dados, do DNA inclusive, para filtrar a web. quero filtrar  6-hidroxi-5-[(4-sulfofenil)azo]-2-naftalenossulfonato dissódico porque sou alérgico a isso [por exemplo]. e o faria sem ir atrás da fórmula, porque talvez a alergia esteja escrita lá no meu DNA. se ele fosse usado como filtro, por mim, para "ver" a web com tal "lente", nem anunciantes perderiam tempo comigo, nem eu com eles. mas… e se "eles" tivessem o controle do meu DNA e pudessem fazer o que bem quisessem com ele?… se proteger [ou anonimizar] os dados do nosso emeio e cartão de crédito já eram um grande problema, imagine, agora, proteger o código da própria vida.

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