por Silvio Meira

mobilidade: dez tendências para 2012 [2]

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enquanto o primeiro post desta série deu conta de um negócio móvel que difícil ver em escala aqui no brasil, o de celulares como dinheiro, de forma generalizada, tratamos hoje da segunda previsão do gartner, que já começa a ser encontrada por aqui. segundo a galera que trata de futuros, por lá, depois de dinheiro, localização vai ser a maior oportunidade de negócios de 2012:

2: Location-Based Services
Location-based services (LBS) form part of context-aware services, a service that Gartner expects will be one of the most disruptive in the next few years. Gartner predicts that the LBS user base will grow globally from 96 million in 2009 to more than 526 million in 2012. LBS is ranked No. 2 in Gartner’s top 10 because of its perceived high user value and its influence on user loyalty. Its high user value is the result of its ability to meet a range of needs, ranging from productivity and goal fulfillment to social networking and entertainment.

o gartner está prevendo que os serviços baseados em localização devem explodir; a base de usuários deve crescer de 96 milhões de usuários, este ano, para mais de meio bilhão até 2012. se rolar mesmo, LBS [location-based services, ou serviços baseados em localização] vai ser a “nova” câmera dos celulares.

lá atrás, houve quem achasse que celulares e câmeras não iam dar certo juntos mas, pouco tempo depois do encontro dos dois, estava claro que ia ser um sucesso, e não só, não ia haver celular sem câmera. era um caso típico de feitos um para o outro.

LBS vai na mesma direção, e por razões que variam de aumento de produtividade a redes sociais e entretenimento. pouca gente tem algum tiupo de LBS nos celulares, mas quem tem sabe o que é estar num táxi, num lugar desconhecido, e “ensinar” ao motorista, com o mapa do celular, como ir pra onde se quer chegar. não precisa nem ter GPS; para muitas coisas basta google maps e a localização imprecisa pelas torres celulares.  eu mesmo já me livrei de umas poucas exatamente assim.

mas LBS vai mudar também o modo de se buscar, encontrar e obter coisas, de pizza a postos de gasolina. isso porque o relacionamento com os sistemas de informação da web pode ganhar [se você deixar eles usarem sua posição…] uma precisão que nunca se pensou: de máquinas de busca ao sistema de gestão de trânsito, todo mundo vai querer saber exatamente onde você está. e aí é que o bicho pode pegar mesmo.

isso porque há um claro conflito entre querer um melhor serviço em função de onde se está e entregar sua localização ao primeiro sistema que lhe pergunta onde você está. sistema que pode, por sua vez, passar sua localização para um próximo, e deste para outro, outro… e você terminar soterrado por todo tipo de spam, muito bem localizado, oriundo do restaurante da esquina, da loja em promoção e de todo mundo que enxergar uma possibilidade obter um pedaço de sua carteira porque você está logo ali, pertinho.

deixando de lado –por enquanto- as preocupações com privacidade [mas sabendo que elas são primordias e que estarão sob ataque…] é bom dizer que em 2012 [previsões da IBM] deve haver cerca de um trilhão de dispositivos na web. um trilhão, você sabe, é mil vezes um bilhão. e o número de celulares é algo perto de três bilhões, um para cada dois habitantes do planeta. isso quer dizer que a vasta maioria das coisas na rede –e na rede móvel- não estará nas mãos de humanos e nem serão, todas, computadores ou celulares. isso quer dizer que estamos começando a entrar na era da internet das coisas, muitas das quais queremos saber exatamente onde estão, como o carro, uma encomenda, um animal de estimação [que não é uma coisa, mas que terá uma coisa, um identificador com LBS no seu pescoço…], animais de criação, aviões, trens, bicicletas, motos… e por aí vai.

LBS está só começando mesmo. pode ser que o gartner esteja errado sobre 2012, que em três anos não tenhamos meio bilhão de pessoas na base usuária de LBS. mas será uma questão de tempo, pouco tempo, para que haja bilhões, dezenas de bilhões de coisas, entre tudo o que se move por aí, na base de LBS. vai ser uma oportunidade de negócios, literalmente, gigantesca. pode apostar.

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

8 comentário

  • Parabéns pela série de comentários sobre Gartner.
    Fez meu acesso ser diário ao blog.
    Continue, por favor.

  • Parabéns pela série de comentários sobre Gartner.
    Fez meu acesso ser diário ao blog.
    Continue, por favor.

  • Essa questão da privacidade é realmente complicada. Mas, assim como acontece hoje, ela continuará a ser voluntária (quer dizer, tomara que sim…). Continuaremos a decidir o quanto de nossas vidas será pública, embora seja muito fácil expô-la ao máximo sem se dar conta…

  • Essa questão da privacidade é realmente complicada. Mas, assim como acontece hoje, ela continuará a ser voluntária (quer dizer, tomara que sim…). Continuaremos a decidir o quanto de nossas vidas será pública, embora seja muito fácil expô-la ao máximo sem se dar conta…

  • Realmente, ótima série de posts.
    Quanto ao ponto levantado pelo Andre, estava pensando nisso hoje: por mais que a entrada seja voluntária, chega um ponto em que ela passa a ser obrigatória caso você não queira se isolar. Uma vez que os serviços oferecidos justifiquem que um número suficiente de pessoas aceite essa perda de privacidade, forma-se uma base que só tende a aumentar e, no longo prazo, tornar mais rentável focar mais em LBS que “publicidade a esmo”. Nesse momento, ou você abre mão da privacidade e some dentro do bolo, ou você fica sozinho do lado de fora.

  • Realmente, ótima série de posts.
    Quanto ao ponto levantado pelo Andre, estava pensando nisso hoje: por mais que a entrada seja voluntária, chega um ponto em que ela passa a ser obrigatória caso você não queira se isolar. Uma vez que os serviços oferecidos justifiquem que um número suficiente de pessoas aceite essa perda de privacidade, forma-se uma base que só tende a aumentar e, no longo prazo, tornar mais rentável focar mais em LBS que “publicidade a esmo”. Nesse momento, ou você abre mão da privacidade e some dentro do bolo, ou você fica sozinho do lado de fora.

  • LBS é interessante mesmo. O problema ainda é o custo. Não adianta só saber onde você está, precisa avisar aos outros. Com toda a infraestrutura já disponível nos lugares mais abastados, o custo de usar uma rede sem fio ainda é proibitivo mesmo em tais lugares, se pensarmos em serviços baseados em protocolo IP. SMS já não é tão caro e você consegue pelo menos passar pequenos fragmentos de informação. Mas para fazer download de mapas e suas camadas de informações (trânsito, restaurantes, postos de gasolina, atrações turísticas, etc), ainda precisa de banda maior que SMS pode prover e o custo não é baixo, e não parece que vai baixar tão cedo. Cada novidade que surge só agrega mais custo.

    Isso se confirma em outros mercados, por exemplo, banda larga domiciliar. Quando instalei banda larga em casa pela primeira vez em 2000 eu pagava 50 reais por 256KBPS. Hoje em dia você tem sei lá 10MBPS a 100 reais. O custo do bit transferido ficou muito menor, mas agora a quantidade de bits que você precisa transferir também aumentou numa proporção grande.

    Seria interessante saber onde (e se) essa escalada de custo de comunicações vai parar, porque conectividade é uma coisa que mesmo barateando tem ficado cada vez mais cara.

  • LBS é interessante mesmo. O problema ainda é o custo. Não adianta só saber onde você está, precisa avisar aos outros. Com toda a infraestrutura já disponível nos lugares mais abastados, o custo de usar uma rede sem fio ainda é proibitivo mesmo em tais lugares, se pensarmos em serviços baseados em protocolo IP. SMS já não é tão caro e você consegue pelo menos passar pequenos fragmentos de informação. Mas para fazer download de mapas e suas camadas de informações (trânsito, restaurantes, postos de gasolina, atrações turísticas, etc), ainda precisa de banda maior que SMS pode prover e o custo não é baixo, e não parece que vai baixar tão cedo. Cada novidade que surge só agrega mais custo.

    Isso se confirma em outros mercados, por exemplo, banda larga domiciliar. Quando instalei banda larga em casa pela primeira vez em 2000 eu pagava 50 reais por 256KBPS. Hoje em dia você tem sei lá 10MBPS a 100 reais. O custo do bit transferido ficou muito menor, mas agora a quantidade de bits que você precisa transferir também aumentou numa proporção grande.

    Seria interessante saber onde (e se) essa escalada de custo de comunicações vai parar, porque conectividade é uma coisa que mesmo barateando tem ficado cada vez mais cara.

por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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