por Silvio Meira

operadoras: mudanças à vista. mas quais?…

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a oferta não solicitada da espanhola telefonica, que pretende comprar a parte da portugal telecom na vivo, deve causar mudanças no cenário brasileiro de mobilidade e conectividade. só não se sabe quais.

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o conselho da empresa lusa se reune no 30 de junho para aceitar ou não os seis e meio bilhões de euros [da segunda oferta; a primeira, detalhada no link da imagem acima, era “final”, e de €5.7B] pelas suas ações na vivo. há quem diga que a resposta será sim… mas só se a telefonica aparecer com [pelo menos] mais meio bilhão de euros. os espanhóis andam dizendo que os portugueses estão ruins da cabeça. ou doentes dos pés. e alguns analistas concordam.

mas pense: a telefonica quer –e precisa- reunir suas operações fixas e móveis no país debaixo de uma só bandeira e comando; o resultado seriam economias de quase três bilhões de euros por ano, face às sinergias fixo-móveis de uma eventual operação conjunta. nestes termos, a compra da participação portuguesa na vivo se pagaria em pouco mais de dois anos.

e a portugal telecom é mesmo capaz de vender, mas pode acabar comprando. se endurecer o jogo pela vivo, a portuguesa pode levar os espanhóis a desistir deste negócio e oferecer uma outra montanha de dinheiro pelo controle da tim. neste caso, as regras do mercado de telecom forçariam a venda da parte espanhola na vivo para… a portugal telecom. que ficaria, no país, só no mercado de mobilidade.

por outro lado, a america movil [leia carlos slim] –que detém perto de 5% da portugal telecom- nega estar conversando com os portugueses ou com qualquer outro, sobre qualquer assunto, seja a compra ou venda da vivo… ou o que for. pelo menos esta é a versão oficial. vamos continuar na escuta.

mas e… se a telefonica comprasse a tim? a telecom italia disse [de novo] que a tim não está à venda, mas que tudo é [como sempre] “questão de preço”. que preço? estima-se que os 60% dos italianos na tim saiam por uns oito bilhões de euros, o que faria muito bem à holding italiana, que deve perto de trinta e seis bilhões. será? pode ser; depois que perdeu a GVT pra vivendi, a telefonica está decidida a arrumar a casa no brasil e, diz-se no mercado, vai fazer alguma coisa. mas que coisa?

no meio deste deste rolo, há cenários ainda mais radicais: a telefônica, em tese, poderia comprar a telecom italia por inteiro ou fazer o mesmo, por bem menos, com a portugal telecom. em qualquer caso, acabaria fundindo, por aqui, uma operação móvel com uma fixa, coisa que só quem tem é a america movil [claro+embratel+net] e a oi. eita, e isso me lembra que, se a portugal telecom vender sua parte na vivo, uma das opções mais em conta é entrar no capital da… oi, talvez assumindo o controle da companhia. o dinheiro que a telefonica está querendo pagar pela vivo [mesmo se forem “só” €6.5B] dá pra fazer isso e muito mais. resta saber se… a oi está à venda.

imagepois é. e você pensando que o mundo, por trás de nossos “telefones”, era uma simplicidade…

e eu, se fosse a portugal telecom? então: tentaria conseguir uns trocados acima de sete bilhões de euros [ali pelos €7.2B] pela minha parte na vivo e venderia mesmo se não chegasse a tanto, mas só e somente se, numa operação quase casada… pudesse comprar o controle da oi.

mas claro que tudo é muito mais –mas muito mais- complexo que tentei explicar [!] neste texto… e a gente só vai saber o fim da história lá bem no fim da história mesmo. é esperar pra ver.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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