por Silvio Meira

qual é o PROBLEMA da educação?

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a galera da ciaTech soluções digitais gravou, comigo, mais ou menos no fim do ano passado, uma reflexão sobre o estado da arte e prática da educação [também no brasil], pra provocar um debate que estavam fazendo em são paulo [o CiaClass SapiênCia] e pra onde eu não pude ir. a gravação rolou na FGV DIREITO RIO, feita por um pessoal muito fera [zico santana à frente] e o resultado está abaixo.

entre as teses que defendo, a que parece mais estranha, quando se leva em conta que eu sou de tecnologia, é que tecnologia não vai resolver os problemas estruturais da educação… nem agora nem no futuro… e que a faceta mais ortodoxa do ambiente educacional, bem acima dos professores –que já são antigos o suficiente, é o sistema regulatório, que é velho e, porque não dizer, burro. aqui no brasil, em particular, onde vivemos um dos maiores e mais profundos dramas educacionais do planeta, nem os professores estão inovando mais, nem o ambiente ficando mais criativo, tampouco a regulação menos invasiva e mais flexível. muito pelo contrário. estamos, assim, nos preparando para ser… nada, no futuro, num mundo que depende, e cada vez mais, de educação, aprendizado, conhecimento e seu exercício prático.

vamos precisar de muita sorte pra sair do outro lado, seja ele qual for…

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

3 comentário

  • Boa noite Silvio. Excelente post, sou fã do seu trabalho! Se me permite, gostaria de alimentar o debate, por ser algo em que penso frequentemente, principalmente na trilogia – ensino, pesquisa e extensão. Algo me faz pensar que o mais natural para uma sociedade industrial saudável seria um forte influxo das suas necessidades para a academia, algum tipo de “extensão inversa”, gerando a pesquisa e que resultaria no modelo de estudo. A naturalidade como separamos o que o aluno vê na academia com o que ele presencia no “mundo real”, enfatizando a importância da universidade corporativa no cenário brasileiro, nos mostra o quanto esses mundos ainda diferem no nosso país, por falta de parcerias ou dificuldade na sua manutenção. As instituições que conseguem mantê-las e alimentá-las, certamente formam os melhores profissionais. No vale do silício dos anos 60/70, a necessidade de guerra e o grande influxo de capital de risco levou aos centros de pesquisa americanos a excelência em qualidade e o alinhamento com as necessidades da indústria. No Brasil, além dos problemas cujas raízes explorou no vídeo, ainda temos que enfrentar um baixíssimo grau de industrialização, alto custo operacional da indústria e ainda, surpreendentemente, honestidade acadêmica no comprometimento do corpo discente e a busca pelo diploma como bem maior. MOOCs se diferem nesse aspecto por terem como base a busca ativa pelo conhecimento, fator determinante na qualidade do aprendizado, como levantou no vídeo. Obrigado e até mais! Um abraço!

  • Grande Silvio! Como estão as coisas?

    1) Quais modelos estritamente considera falho?

    Primeiro acho necessário aprofundar um pouco mais a definição de modelo educacional, porque o Brasil tem um sistema de ensino que permite a utilização de vários modelos. É possível incluir modelos desde a definição do curso no MEC ou CAPES até nos planos de aulas.

    Especificamente sobre modelos de práticas educacionais [que parece ser o foco da sua provocação], é possível diversificar propostas para extensão do conhecimento, entre eles o individual. Assim, eu discordo que a tecnologia não promova uma grande mudança nesse contexto, já que o conhecimento individual está cada vez mais estimulado e acessível.

    2) Por que você nasceu em Taperoá-PB e ascendeu os estudos no ITA utilizando o mesmo modelo que todos os outros?

    Por conhecer tanta gente talentosa, percebo que a questão educacional não é o modelo, mas a sua forma de: planejamento, execução, controle e avaliação, especialmente oportunidade de acesso à recursos.

    Lembra da discussão dos restaurantes? Problemas na avaliação!
    Lembra da discussão dos MOOCS? Problemas no planejamento e execução!
    Lembra da discussão sobre evasão? Problemas na avaliação e controle!
    Lembra da discussão sobre qualidade do ensino? Problemas na execução e controle!

    3) Se o principal agente na relação conhecimento-valor é o professor, porque ele não é valorizado? Não só em termos de remuneração, mas de atenção?

    Essa é a minha proposta para analisar o perfil docente http://jaguaracisilva.blogspot.com.br/2013/08/analise-do-perfil-docente_3.html

    4) Por que avaliamos cursos e publicações e não há NENHUM DADO sobre o valor que a universidade traz de fato para uma cidade ou região em termos de IDH? E a mobilidade de estudandes e valor que se transfere com ele para outras regiões?

    5) Por que a universidade ainda não domina seus próprios processos se eles não mudam há 500 anos?

    O problema na minha opinião está na própria condição de existência da instituição, que por não ter [ou não definir para todos] sua identidade individual e coletiva, não sabe nem mesmo o seu valor perante a sociedade.

    6) Qual o valor da UFPE para Recife, Pernambuco e o Brasil? Ela contribuiu para melhoria de quais áreas de conhecimento? Quantas empresas foram constituídas, empregados gerados, patentes e inovações? Quantos estudantes entraram, saíram formados e hoje trabalham onde?

    Essa última pergunta é fácil para você, justamente porque as grandes mentes da área de tecnologia de PE encontraram a relação de identidade e assim o valor é percebido por todos.

    Mais uma vez, eu cito exemplos de sucesso onde o modelo não foi problema para gerar valor. Você sabe [ou não se lembra pelo tanto de tempo que passou] que entre a UFPE e os estudantes existe uma identidade forte que é disseminada através do ecossistema local de inovação.

    Mesmo que uma perspectiva da educação superior no Recife tenha uma predileção [ou direção bem definida] por conta da construção da sua identidade ao longo de tantos anos, as outras são suportadas por tabela [parece pra mim, posso está equivocado, informe melhor agente 🙂 ].

    O ecossistema local acaba por suportar todo o ciclo de educação voltado para inovação, permitindo sintonia com o modelo educacional no que tange: planejamento, execução, controle e avaliação FORA DA UNIVERSIDADE na prática da pesquisa ou indústria.

    Há uma forte ligação entre o ecossistema local e a UFPE, e essa condição privilegia disseminar o conhecimento individual coletivamente, onde poucos o recebem formalmente, porém muitos são alcançados. Neste caso, fica claro o retorno da universidade em termos de IDH na região [pelo menos pra mim].

    IDH é o principal valor que a universidade deveria se preocupar quanto instituição de ensino, pesquisa e extensão. O problema da educação no Brasil é que não há relatórios de IDH x universidade.

    Fica aí minha proposta para você entregar à presidente da república que lançou o “Brasil pátria educadora”.

    Um abraço!!

  • Boa tarde, Profº Sílvio!
    Apesar de passado meio ano, só agora vi esse post o qual achei muito interessante, tanto as suas colocações quanto os pontos ressaltados por Rafael Battesti e Jaguaraci Silva. M as o principal de tudo isso é o objetivo para o qual estamos trabalhando. Por exemplo: todo início de ano tem a chamada “Semana Pedagógica” antes de iniciar o ano letivo, que todos acreditam iniciar apenas quando estiver dentro da sala de aula, antes não conta nada. Pois bem, a secretaria de educação e não a direção da escola, vem cheia de receitas e nomes para ensinar ao professor uma fórmula mágica para tirar a educação do buraco e fazer aqueles alunos repetentes e repetidos avançarem nas séries, mas, nunca fizeram essa lição prévia sugerida pelo professor Sílvio, de perguntar ao professor o que o incomoda em sua prática? Quais suas necessidades reais,? Quais as dúvidas para o ano vigentes? Ao contrário, vem tudo preparado aos moldes do que eles acham ser necessário para resolver os problemas acusados nas tantas siglas do MEC.
    A questão da tecnologia está se tornando um problema porque como bem sabemos, hoje é acessível, embora as pessoas não saibam dar utilidade aos objetos dispostos no mercado, além disso, os nosso alunos, as vezes, chegam à escola com um SMART mais sofisticado que o do professor, mesmo não sabendo usar 1% do seu potencial; que me adianta computadores na escola danificados e sem internet? São problemas que vão se avolumando e se atropelando criando com isso um grande bolsão de exclusões… Justo quando as políticas públicas de educação gritam que é preciso incluir.
    Olha para a escola pública, hoje em dia, é como passar numa esquina onde tem um pedinte, você só vai enxergá-lo se parar e observar a criatura em toda sua constituição, aí dá para entender as diferenças sociais, os esquecimentos, as omissões. Digo isso porque semana passada ao olhar minha escola vi quanto a educação brasileira nos proporciona o básico do básico para formar indivíduos com objetivos, foco, oportunidades reais. Bem, nessa situação, ficamos na torcida pelas excesções dessa regra doida chamada sociedade.

por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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