a reportagem deste link, sobre UBER em LISBOA [e portugal, em geral], mostra que UBER -o próprio, e a classe de serviços e negócios hoje representadas por ele- pode não ser sustentável… com motoristas.

apesar de, localmente e em países de ALTO desemprego, como o BRASIL de agora, serviços como UBER serem uma alternativa de trabalho e renda pra muita gente [e uma solução pra muitos mais]. e por muito tempo [até que uma ou mais facetas da complicação e custo brasil entrem em cena]. mas, pra dar certo mesmo, UBER pode levar tempo para NÃO PRECISAR DE MOTORISTAS. aqui, há empecilhos tecnológicos, sociais e regulatórios.

por isso, meu chute é que… carros compartilhados SEM motoristas vão dar certo. e quase certamente, SEM UBER.

porque UBER, quase certamente há de pagar muito caro por ter começado tão cedo e com tanta oposição. de motoristas de táxi, por exemplo, que não são, nem de longe, competidores de UBER -no longo prazo. porque o propósito de UBER é tornar irrelevante a propriedade pessoal de um auto; é transformar produto em serviço e, definitivamente, posse -de um equipamento para mobilidade- em possibilidade de acesso ao que se quer -sem nem, necessariamente, ir ao lugar onde a coisa -ou serviço – está.

a menos que UBER faça alguma mudança radical no modelo de negócios- como um salto mortal, com calambote e tudo, e arranje outras paradas para desenrolar… como resolver o problema de transporte de cargas em longas distâncias nos EUA, coisa que sua divisão OTTO já está tentando fazer. entrar no mercado de FRETE, com CARRETAS AUTÔNOMAS: “são como TRENS em TRILHOS de SOFTWARE“. isso pega. em todo canto. até porque os motoristas DIRIGEM as primeiras e últimas milhas da jornada e estão do lado -de dentro- de OTTO na solução.

há alguma variável que não consideramos?… ah, há a GIG ECONOMY, cheia [em tese, pelo menos] de gente que quer e pode, pelo menos vez por outra, rodar 10-15h por dia, três dias seguidos, pra faturar algum e comprar alguma coisa ou pagar alguma conta; sim, isso também pode segurar UBER e similares por um tempo. mas… por quanto tempo?…

Manifestação de empresas e profissionais de táxi, convocada pela ANTRAL - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros, contra o transporte de passageiros por condutores ligados à aplicação eletrónica Uber, durante a passagem no Aeroporto de Lisboa, 08 de setembro de 2015. MÁRIO CRUZ/LUSA
Manifestação de empresas e profissionais de táxi, convocada pela ANTRAL – Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros, contra o transporte de passageiros por condutores ligados à aplicação eletrónica Uber, durante a passagem no Aeroporto de Lisboa, 08 de setembro de 2015. MÁRIO CRUZ/LUSA

PS: ao mesmo tempo, é fundamental que alternativas de transporte pessoal com modelos de negócios da classe de UBER existam e tenham sucesso; um estudo que acaba de ser publicado pelo CSAIL/MIT mostra que TODOS os 13.000 táxis de nova ioerque poderiam ser substituídos por 3.000 carros compartilhados. que nem precisariam ser autônomos. bastariam substituir o modelo corrente de táxis, que tem mais de um século, por um modo de transporte que está maduro para o contexto presente, o compartilhamento.